Meu anjinho, hoje é o meu aniversário, fiz 37 anos... Há um ano atrás, vivias dentro de mim e sempre acreditei que hoje te teria nos braços, a festejarmos o meu aniversário. Seria um dia tão especial! Assim, é apenas mais um dia, outro dia infeliz. Aqui estou de colo vazio, a olhar o vazio que ficou, à minha volta e dentro de mim. Atravessaste o aniversário do teu pai, da tua irmã, meu, o Natal e o Ano Novo, mas não podias ficar. Em Janeiro partiste, levando contigo toda a alegria, sonhos e esperança que restavam na minha alma. Nunca mais fui a mesma pessoa. Tornei-me triste, distante, solitária. Eu sei que não foi esse o propósito da tua visita, mas ainda não consigo lidar com este sentimento de perda, que não me deixa aceitar o inevitável. Tu foste a melhor coisa que me aconteceu nestes últimos anos, e por isso, me custa tanto suportar a tua ausência. Eu deveria agradecer a oportunidade que tive de te conhecer. Agradecer o facto de teres feito do meu ventre o teu lar, enquanto precisaste. Eu devia agradecer-te o amor que brotou de dentro de mim desde o dia em que descobri que existias em mim. Eu deveria estar feliz por ter sido feliz contigo. E partilhar essa felicidade com quem eu amo. Mas em vez disso, partilho a tristeza, a revolta, a mágoa e o ressentimento. Eu devia homenagear-te todos os dias, amando-me e amando quem me ama. Mas é tão difícil sorrir, quando por dentro se chora. Tão difícil agradecer as coisas boas que a vida nos dá, quando perdemos algo tão precioso. Eu tenho tentado aceitar o que aconteceu, mas nestas datas, as recordações trazem consigo a dor de te perder. E essa dor ainda dói muito. Hoje faço 37 anos e tu deverias estar nos meus braços, perfeitamente normal e saudável como eu desejei. Talvez estejas num lugar melhor... E talvez um dia, esta dor seja apenas uma doce sensação, uma lembrança da tua presença na minha vida. Hoje só desejo que esta idade me traga alegria, paz e sabedoria. E esperança de que um dia nos voltemos a encontrar. Amo-te Para Sempre Meu Anjinho.
Carla André
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
Domingo dia 13...
Meu anjinho, hoje é Domingo dia 13... Recorda-me o dia em que partiste, Domingo dia 13 de Janeiro. Foi à nove meses que nos separámos. Sinto que é de certa forma um dia especial. Não é um dia feliz, mas é um Domingo especial. Marca o dia em que te dei à Luz e te devolvi. Marca o dia mais infeliz da minha vida. Desde então, a tristeza não me abandona, tem sido a minha fiel companheira nestes últimos 9 meses. Sinto que ainda não superei e sei que preciso de aceitar o que nos aconteceu para me recuperar. Mas não é fácil. Atravessar toda esta dor será a minha maior batalha. Não consigo deixar de me sentir culpada, falhada, derrotada. Não consegui te proteger da fatídica doença, não consegui dar-te uma vida. Fui uma mãe impotente, incapaz de te defender do mal que te atacou. A única forma que tive de te proteger foi libertar-te do meu corpo e te devolver. Sinto que não podia fazer nada mais por ti, mas nem por isso me sinto mais aliviada. Sei que fiz o que era correcto, mas não consigo deixar de me sentir revoltada contra este nosso destino. A vida tem sido tão cruel. Ao fim de tanta luta e lágrimas, "premiou-me" com mais luta e lágrimas. Não é justo. Não compreendo. O que nos aconteceu marcou-me para sempre. É uma ferida que não sara, uma dor que não passa, é uma parte de mim que não vive mais, que morreu quando partiste. Mas eu sei que existes algures, não aceito a morte como um fim. Em mim sempre existirás, mas quero acreditar que vives para além desta vida. Sinto que te devia homenagear todos os dias, sorrindo, amando, vivendo, mas a tristeza que ficou impede-me de cumprir essas três simples necessidades humanas. Mas sei que devo fazê-lo e que devo recordar apenas a felicidade que me trouxeste, os momentos felizes que vivi contigo dentro de mim. Foi uma breve existência sempre assombrada pela sensação de que algo estava mal, mas mesmo assim a alegria de te ter era maior e eu só desejava que tudo o que eu pressentia não fosse real, que fosse apenas a minha mente a mentir-me. Quis acreditar que finalmente a vida me ia recompensar após tanta provação. Mas não foi o que aconteceu. Perdi-te, fui obrigada a perder-te. O meu maior acto de amor foi libertar-te do meu corpo e devolver-te à Luz. Era tudo o que eu podia fazer para evitar o teu sofrimento. Morrerias no meu ventre de qualquer forma, eu apenas antecipei a tua partida. Não foi fácil, nunca me senti tão infeliz em toda a minha vida. Mas sei que não posso continuar a recordar apenas os momentos dolorosos desta nossa história de amor. Porque eu vivi momentos muito felizes contigo. Em mim despertaste sonhos, ressuscitaste a esperança, fizeste-me acreditar de novo na felicidade. Nunca me senti tão plena e tão orgulhosa de mim. Eras tudo o que eu desejava. Mas a vida não nos permitiu continuar e logo nossos caminhos se separaram. A nossa viagem terminou. Rumaste para o teu mundo e eu fiquei perdida neste labirinto chamado vida. Mas apesar de todo o sofrimento, eu amei ter-te comigo, tudo o que me fizeste sentir foi bom demais para se apagar. Não me posso esquecer do quão feliz fui contigo enquanto exististe. E é isso que eu devo valorizar, todos os bons sentimentos e pensamentos de que usufruí enquanto vivias dentro de mim. E continuarás a viver, meu anjinho. Por isso, tudo que senti de bom, tem de continuar a existir. A tua vi(n)da não pode ter sido em vão. Perdoa-me por continuar presa à dor da tua perda. Sei que tenho de me libertar e recomeçar. O tempo passa e a vida também, e eu não vivo, apenas existo. Não foi com esse propósito que me vieste visitar. Vieste-me mostrar que existem mais caminhos e que todos eles nos levam à felicidade se a quisermos realmente alcançar. O fim de algo é sempre um recomeço, uma nova oportunidade de reescrever a nossa história. E tu vieste a mim para me oferecer essa tal oportunidade, a qual tenho desperdiçado por passar todos os meus dias a lamentar o nosso destino. Perdoa a minha letargia, mas tem sido muito doloroso aceitar a tua ausência. Perdoa-me por continuar a viver no modo condicional e deixar tantas vezes que os "ses" dominem os meus pensamentos. Perdoa-me por tantas vezes eu recordar este dia, o Domingo dia 13 de Janeiro... Mas sinto que devo sempre relembrá-lo até ao dia em que o consiga aceitar e recordá-lo com doçura e serenidade. E por vezes consigo sentir-me assim, quando olho as tuas fotos e mesmo com lágrimas nos olhos, sorrio. Porque eu sei que não vieste a mim para me fazeres chorar, mas sim para eu poder sorrir. E eu vou tentar meu anjinho. O nosso amor alimenta o meu sorriso e as minhas lágrimas, mas eu vou tentar valorizar apenas o bem que ficou e "esquecer" o que me magoa. Vou te amar Para Sempre Meu Anjinho.
Carla André
Carla André
Homenagem
Meu anjinho, hoje entrei numa belíssima catedral em St. Gallen. Não sou católica nem tenho qualquer religião, mas as igrejas inspiram-me paz. E eu tenho as minhas próprias crenças. Resolvi fazer-te uma homenagem, acendi uma vela e escrevi no livro uma dedicatória: "13/10/2013 Acendo uma vela por ti meu anjinho, que nasceste e partiste no dia 13/1/2013. Com todo o meu amor." e assinei. Saí da igreja com uma bela sensação de paz no meu peito. Sinto que algures recebeste a minha mensagem. Que descanses em paz meu anjinho. Que sejas feliz no lugar onde vives. No meu coração sempre viverás
Carla André
Carla André
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Pensamentos 20 de Agosto de 2013
Quando ele entrou dentro de mim já era um anjinho. Por isso não pôde ficar. Ele tinha uma missão muito importante. Ele tinha de me fazer ver coisas que eu não veria de outra maneira. Eu sei que sim, que ele tinha razão. Eu tinha de passar por tudo isto e muito mais, eu tinha de tomar aquela decisão. Deixá-lo partir, isso também era parte da sua missão. Só espero que não o tenha desiludido ou venha a desiludir. É difícil ser mãe de um anjo... A tristeza e a revolta andam de mãos dadas. Tento ser melhor, mas talvez não o suficiente. Preciso de fazer um esforço maior, para comigo e para quem eu amo. Sei que a vida é curta e que um dia ela acaba. Por isso, devia aproveitar mais o que e quem ela tem para me oferecer. Sei que tenho ainda muito para aprender, mas queria pedir à vida para ser mais branda comigo, para não me deixar sofrer tanto.... Porque eu já chorei muito, desesperei, desejei morrer, já sofri demais. E tenho medo de que a vida considere pouco e me dê mais uma dose de sofrimento. Eu quero aprender a viver melhor, e só preciso dessa oportunidade. Mas por favor, sem mais dor e infelicidade. Meu anjinho talvez me vigie lá do seu lugar e se alegrará quando me vir sorrir, chorará quando me vir triste. Eu quero que ele seja feliz e que todos os que amo também o sejam. Se eles forem felizes também eu serei um pouquinho... e essa sei que é uma lição a ser aprendida.
Desde que partiste, o meu coração sangra lágrimas de dor, tristeza e saudade. Foste tão importante para mim! Foste um sonho que não se concretizou, mas ainda assim, um lindo sonho de amor. Ao longo da minha vida tive sonhos que não se realizaram, objectivos que não se concretizaram, mas aceitei, revoltada e contrariada mas aceitei. Não tinha como evitar resignação. Mas tu meu anjinho foste o mais belo sonho que tive em toda a minha vida e não consigo aceitar o que aconteceu. Vivo todos os dias pensando em ti, desejando que estivesses aqui comigo. Falo contigo em pensamento e toco na minha barriga como se ainda vivesses dentro de mim. Mas vives, vives sim... Dentro de mim ainda existes, existirás sempre. No meu corpo, no meu coração, na minha alma. Por vezes dói muito, dói como se eu tivesse um buraco no peito, onde antes batia um coração. Hoje vive lá o que sobrou desta minha última tragédia de amor... E eu só penso para mim "Por favor vida, já chega. Não preciso de sofrer mais, não quero, não mereço... por favor."
Carla André
Desde que partiste, o meu coração sangra lágrimas de dor, tristeza e saudade. Foste tão importante para mim! Foste um sonho que não se concretizou, mas ainda assim, um lindo sonho de amor. Ao longo da minha vida tive sonhos que não se realizaram, objectivos que não se concretizaram, mas aceitei, revoltada e contrariada mas aceitei. Não tinha como evitar resignação. Mas tu meu anjinho foste o mais belo sonho que tive em toda a minha vida e não consigo aceitar o que aconteceu. Vivo todos os dias pensando em ti, desejando que estivesses aqui comigo. Falo contigo em pensamento e toco na minha barriga como se ainda vivesses dentro de mim. Mas vives, vives sim... Dentro de mim ainda existes, existirás sempre. No meu corpo, no meu coração, na minha alma. Por vezes dói muito, dói como se eu tivesse um buraco no peito, onde antes batia um coração. Hoje vive lá o que sobrou desta minha última tragédia de amor... E eu só penso para mim "Por favor vida, já chega. Não preciso de sofrer mais, não quero, não mereço... por favor."
Carla André
Meu coração de vidro...
Peito dorido
Coração partido
como se de vidro fosse...A tua doença
Doença dos Ossos de Vidro
corta-me por dentro
sangrando de dor
todo o meu amor por ti...
Foste o sonho mais lindo que sonhei.
Foste a maior perda que perdi.
A maior tristeza que chorei.
Amo-te meu Anjinho de Cristal.
Nunca te esquecerei
Sempre te amarei.
Carla André
2 de Setembro de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Hoje dia 13 de Junho, cinco meses desde que partiste, desejo iniciar um novo projecto de vida, em tua homenagem, em homenagem a quem eu amo... Vou tentar seguir o lema "vive cada dia como se fosse o primeiro da tua vida". Não prometo que todos os dias serei capaz de o fazer, mas vou tentar, por ti meu anjinho e pela felicidade da tua irmã, pelo amor do teu pai. Tu e eles merecem ver o meu sorriso, a minha coragem, o meu carinho. Por vocês tentarei ser melhor todos os dias. Irei tentar lutar contra a tristeza, o desânimo, a ansiedade, o ressentimento e a negatividade. Sinto que serei sempre iluminada por ti meu anjinho. Para mim és como um raio de sol ou como o brilho da lua. Mesmo quando estão ausentes, sei que continuam a raiar, a brilhar algures... Tu és assim para mim. E hoje eu sei que tenho duas estrelas muito especiais no céu do meu coração, tu meu anjinho e a tua irmã. Sinto-me triste porque tiveste de regressar ao teu lugar, mas ao mesmo tempo, me sinto feliz porque te pude amar. Foi o melhor presente que me trouxeste e deixaste ficar. Amo-te para sempre meu anjinho!
Carla André
Carla André
segunda-feira, 10 de junho de 2013
A tua doença: Osteogénese Imperfeita Tipo II C
Osteogénese imperfeita, Osteogenesis Imperfecta, doença de Lobstein ou doença de Ekman-Lobstein é uma doença dos ossos de origem genética. Os pacientes com esta enfermidade nascem sem a proteína necessária (colágeno) ou sem a capacidade de a sintetizar. Uma vez que o colagénio é um importante componente estrutural dos ossos, estes tornam-se anormalmente quebradiços. Osteogênese imperfeita é o nome certo para a doença dos ossos de vidro. É um problema genético, normalmente hereditário, que leva a pessoa a não produzir uma proteína muito importante para solidificação dos ossos, o colágeno. Dessa forma, os ossos ficam extremamente frágeis, sendo que muitas crianças nascem com fraturas e não sobrevivem por muito tempo.
Aquelas que sobrevivem, sofrem diversas fraturas durante toda a vida e não crescem como as crianças normais, se tornando pequenas e bem deformadas. Porém, as capacidades mental e motora dessas pessoas não são alteradas.
A falta de colágeno não afeta apenas os ossos, mas todas as estruturas do corpo que utilizam essa proteína, por exemplo, a pele e os vasos sanguíneos.
Felizmente é uma doença extremamente rara, afetando cerca de 1 em cada 25.000 nascidos.
A quebra dos ossos é o sinal mais evidente. São tão frágeis que uma pequena queda, pancada, esbarrão, ou, nos casos mais graves, até mesmo um movimento brusco do corpo pode causar fraturas. Por isso, essa doença foi apelidada de Doença Dos Ossos de Vidro. Existem ainda as fraturas espontâneas, que ocorrem sem nenhuma causa aparente.
É importante salientar que existe uma grande variedade de sinais e sintomas, sendo que nem todos os pacientes possuem todas as características, pois a doença tem graus de gravidade diferentes. Em casos leves, pode ocorrer uma grande melhora dos sintomas durante a puberdade, porém, ocorre agravamento na menopausa.
A doença pode ser classificada como:
Tipo I: Inclui pessoas aparentemente normais com poucas fraturas e deformação nos ossos longos.
Tipo II: Inclui pessoas que não resistem à doença e falecem logo após o nascimento. É o tipo mais grave da doença.
Raio X de pernas de criança com doença dos ossos de vidro Tipo III: Inclui pessoas com um grau variando de moderado a grave, caracterizado pelo formato do rosto, baixa estatura e deformidade nos ossos longos.
Tipo IV: Inclui pessoas que apresentam gravidade e características heterogêneas da doença.
Essa doença pode ser diagnosticada, ainda na gravidez, por meio do exame de ecografia. Assim que detectada, os pais devem fazer uma orientação genética para saber sobre a possibilidade de recorrência da doença, numa nova gestação.
As fraturas são tratadas de maneira habitual, como em pessoas não portadoras da doença. Ou seja, faz-se a redução do osso e imobilização para regeneração celular. Porém, quando ocorre fratura de crânio pode ocorrer lesão cerebral e morte. Nos portadores de osteogênese imperfeita, ocorre regeneração mais rápida do osso e encurtamento destes, além de angulações dos membros, resultando em crescimento anormal e atrofiado.
O tratamento é feito através de vários produtos onde os bisfosfonatos e a calcitonina se destacam, por inibirem a reabsorção óssea, mas os melhores efeitos são obtidos através da fisioterapia e da alimentação. Deve-se fazer exercícios independente do local e da hora, além de comer alimentos naturais e saudáveis evitando álcool, alimentos gordurosos, cafeína e refrigerantes. Porém não há cura para essa doença.
As crianças gravemente atingidas por esta doença nascem já com fracturas múltiplas e o crânio mole e geralmente não sobrevivem. Nos casos menos graves, vão sofrendo várias fracturas ao longo da infância, às vezes por traumatismos muito ligeiros. O médico, perante um destes casos de fracturas múltiplas, pode ter dificuldade em determinar se a causa é uma osteogénese imperfeita ou se a criança, sendo normal, teria sido vítima de maus tratos. Os casos muito ligeiros só vêm a ser detectados na adolescência ou ainda mais tarde.
Um sinal habitual que acompanha esta doença é o tom azulado da esclerótica, a qual, mais fina do que o normal, se torna mais transparente, deixando ver a tonalidade da retina. Além disso, os doentes com osteogénese imperfeita podem sofrer de surdez devida a uma osteosclerose. Em alguns casos, nota-se um formato do rosto com tendências triangulares.
As fraturas tratam-se geralmente pelos métodos habituais (por redução e imobilização); para além deste aspecto, não existe qualquer tratamento específico para a doença. As fraturas, em regra, consolidam rapidamente, mas muitas vezes com acentuados encurtamentos e angulações dos membros, o que resultará num crescimento corporal anormal e atrofiado. As fracturas do crânio podem provocar lesões cerebrais e até a morte.
Os pais que tenham um filho com osteogénese imperfeita devem procurar aconselhamento genético, a fim de poderem avaliar a possibilidade de recorrência da doença numa futura gravidez. A osteogénese imperfeita grave pode ser detectada durante a gravidez por meio de uma ecografia.
Wikipédia
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terça-feira, 4 de junho de 2013
Nascerias hoje?
Nascerias hoje? Ou terias já nascido? Nunca saberei. Nasceste em Janeiro, sem vida. Tinhas uma doença grave, não irias sobreviver. Mas nasceste como qualquer outro bebé, merecias esse carinho. Senti que partiste na noite anterior, chorei desconsoladamente. No meu ventre, tive a sensação de que te encolhias sobre ti mesmo. Acariciei-te e chorei, despedindo-me em pensamento. No dia seguinte não mais te senti e ao fim do dia te devolvi. Foi por amor que o fiz. Não podia permitir que sofresses. Tu merecias amor e felicidade, nunca sofrimento. E eu amei-te e senti que me amaste, foi por isso que me escolheste. Acolhi-te no meu ventre e juntos fomos felizes. Pedi-te perdão pelo meu acto, mas por amor uma mãe é capaz de tudo. Nunca me perdoaria se te deixasse sofrer por um segundo. Se fosses saudável, talvez nascesses hoje, como era previsto. Mas nunca saberei. Partiste em Janeiro, era esse o teu destino. Acredito que um dia nos reencontraremos. Porque tu me pertences e eu te pertenço. Somos almas-gémeas. Estaremos para sempre unidos. O nosso amor é intemporal, espiritual. E em mim perdurarás até ao meu último sopro de vida. Amo-te para sempre meu anjinho.
Carla André
Carla André
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Meu filho, meu menino, meu anjinho...
Carla André
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Carla André
Pode uma folha, quando cai da árvore no inverno, sentir-se derrotada pelo frio? A árvore diz para a folha: "Este é o ciclo da vida. Embora você pense que irá morrer, na verdade, ainda continua em mim. Graças a você estou viva, porque pude respirar. Também graças a você senti-me amada, porque pude dar sombra ao viajante cansado. Sua seiva está na minha seiva, somos uma coisa só."
Manuscrito encontrado em Accra - Paulo Coelho
segunda-feira, 6 de maio de 2013
21 de Abril de 2013
Meu anjinho, tenho de deixar de pensar no que seria porque nunca será. Ao imaginar como seria agora, se ainda estivesses comigo, mais me magoo. Ao pensar em como seria quando nascesses, mais me firo. Mas não consigo deixar de pensar e imaginar em como seria. Não sou masoquista, sou inconformada... Sei que tenho de aceitar o que aconteceu e avançar, mas a tristeza é forte demais e parece que me recuso a abandoná-la. É como se ao fazê-lo, estivesse a abandonar-te, a esquecer-te... Mas eu sei que sempre te recordarei, o que vivi e senti contigo, o que imaginei que viveríamos juntos nunca esquecerei. É isso que tanto me entristece, o futuro que nunca existirá. Tenho tanta pena que os meus sonhos e desejos não se tenham realizado... Sinto-me traída pelo destino, pela vida. Perdi-te e tenho de aceitar. Tenho de me conformar, porque nunca te terei de volta. Tenho de te deixar ir e não mais pensar no que foi e no que seria. Acabou à 14 semanas... E agora só tenho que avançar, lutar e viver. Mas sempre te amar e nunca te esquecer.
Carla André
Meu anjinho, tenho de deixar de pensar no que seria porque nunca será. Ao imaginar como seria agora, se ainda estivesses comigo, mais me magoo. Ao pensar em como seria quando nascesses, mais me firo. Mas não consigo deixar de pensar e imaginar em como seria. Não sou masoquista, sou inconformada... Sei que tenho de aceitar o que aconteceu e avançar, mas a tristeza é forte demais e parece que me recuso a abandoná-la. É como se ao fazê-lo, estivesse a abandonar-te, a esquecer-te... Mas eu sei que sempre te recordarei, o que vivi e senti contigo, o que imaginei que viveríamos juntos nunca esquecerei. É isso que tanto me entristece, o futuro que nunca existirá. Tenho tanta pena que os meus sonhos e desejos não se tenham realizado... Sinto-me traída pelo destino, pela vida. Perdi-te e tenho de aceitar. Tenho de me conformar, porque nunca te terei de volta. Tenho de te deixar ir e não mais pensar no que foi e no que seria. Acabou à 14 semanas... E agora só tenho que avançar, lutar e viver. Mas sempre te amar e nunca te esquecer.
Carla André
Eterna Saudade...
"Cada criança que nasce saudável é um milagre da vida", disse o médico geneticista. Ele disse que tanta coisa pode correr mal desde o início da concepção, que é um milagre cada vez que nasce uma criança saudável. Ao ouvir tal frase, chorei... Não foste um milagre mas foste uma dádiva de amor. A tua doença foi culpa de nada ou ninguém, simplesmente foi um erro da Natureza. Fiquei esclarecida desde então, mas continuo sem me conformar, sem entender porquê... Sei que não posso continuar a pensar no porquê, porque existem perguntas que não têm respostas. É algo que transcende a todos nós. Receio que se continuar a me questionar, nunca mais terei paz de espírito. E eu preciso dessa paz para voltar a viver, não como antes, porque isso será impossível... Ninguém consegue voltar a viver como dantes depois de tal ferida e mágoa na alma. A dor estará sempre presente e quem me conhecer realmente, verá a tristeza no meu olhar apesar do sorriso que eu lhe possa oferecer. E é por isso que muitas vezes não te escrevo, meu anjinho. Tenho medo de me afogar neste mar imenso de tristeza e não mais me consiga salvar. Não posso continuar assim, a tua irmã precisa de mim... Mas nunca te irei esquecer. Viverás para sempre no meu coração. Sempre. E hoje olho o calendário, faço contas, mesmo sem querer, e sei que nascerias dentro de 4 semaninhas. E ontem fez 16 semanas que partiste... Todas essas datas e momentos não saem do meu pensamento, mas eu sei que devo fazer um esforço para não pensar tanto e viver cada dia sem me magoar mais. Sabes, há quem não me compreenda, porque tu ainda e apenas vivias dentro de mim. Mas se para uns eras nada, para mim eras tudo. Perdi um grande e verdadeiro amor. Todos os outros problemas e dificuldades da vida tornaram-se, para mim, fúteis e superficiais. Nada magoa mais do que perder um filho. Seja de que idade for. Acredito que é mesmo assim. E acredito que amor de mãe é eterno sim... A sementinha do amor germina ao mesmo tempo que o embrião se forma e se desenvolve dentro do ventre da mãe, e apartir daí, cresce a cada dia de vida vivida em comum. E se por algum motivo, essa vida for interrompida, o amor perdurará para todo o sempre. Por isso serás para sempre o meu menino, o meu bebé lindo... "Baptizei-te" de André de Sousa, o meu último nome e do teu pai. Só soube que eras mesmo um menino depois de saber que estavas doente, por isso ainda não tinhas um nome. Foi uma enfermeira que me aconselhou a fazê-lo. No início neguei-me a pensar nisso, porque simplesmente não ias ficar, não ias viver, mas pouco tempo antes de nasceres, pensei que merecias um nome e escolhi André de Sousa. Um nome bonito para o meu anjinho... Sabes que não sou católica, por isso "sou contra" o baptismo, mas como sabia que o teu pai até gostaria de te baptizar tinha resolvido aceitar, com uma condição, os padrinhos seriam os teus irmãos, a Cátia e o Eduardo. Tinha tantos planos para ti, para nós, mas a vida não nos permitiu viver os meus sonhos e desejos. Não, a vida resolveu pôr, de novo, a minha força e coragem à prova, como se eu já não tivesse sofrido o suficiente. Parece que não e portanto tive de sentir na pele um sofrimento maior, desvastador. Não é justo, ofereceu-me a tua presença e destroçou-me com a tua ausência. Mas antes disso, obrigou-me a tomar a decisão mais difícil de toda minha vida... Pôr um fim à tua vida. Lembro-me bem da noite antes de te ausentares do meu corpo. Senti-te a encolheres-te no meu ventre, e percebi que morrias. Não mais te senti e no dia seguinte partiste. Passados quase 4 meses, sinto ainda a mesma mágoa e uma recente revolta contra a vida e o destino. E aquele porquê insiste em me atormentar... ou talvez seja eu que me torturo com o porquê de nos ter acontecido. Sei que íamos ser muito felizes juntos e lamento muito o que nos aconteceu. Sinto a tua falta e tenho saudades de ti.
Amar-te-ei para sempre meu anjinho...
Carla André
Amar-te-ei para sempre meu anjinho...
Carla André
sábado, 13 de abril de 2013
Três meses passaram...
Carla André
Dia 30 de Setembro de 2012. Lembro-me tão bem do dia em que fiz o teste de gravidez... Eu já andava desconfiada e, desconfiava que não vinhas para ficar. Tinha muitas dores, por vezes como as dores menstruais, mas mais fortes, outras como as contracções de um trabalho de parto. Eu só esperava que a menstruação viesse ou que abortasse sem que soubesse que estava grávida... Mas a menstruação não veio e fiz o teste. Positivo... As lágrimas correram pelo meu rosto, eu sabia que algo estava mal. Fui ao hospital, receava uma gravidez ectópica ou que o meu corpo estivesse insistentemente a querer te expulsar. No hospital, não detectaram nada de errado, os resultados das análises eram os exactos, demonstrando que não era gravidez ectópica e eu não tinha qualquer hemorragia que os fizesse associar a um aborto espontâneo. Tu estavas bem implantado no meu útero, apesar de seres ainda invisível. Disseram-me que não podiam fazer nada mais e que eu consultasse a minha ginecologista. Os médicos não se mostraram muito preocupados, talvez julgassem que eu estava a exagerar com as dores, e mais "descansados" ficaram, quando lhes disse que também tinha sido assim, no início, quando estava grávida da tua irmã. Mas tentei explicar-lhes que não as tive durante tanto tempo nem tão fortes. Concluiram que em mim seria normal estas dores e mandaram-me para casa. E elas continuaram... Ao todo andei quase 4 semanas com dores fortíssimas no útero e rins, até que foram acalmando, mas nunca me abandonaram por completo. A ginecologista achou que estava tudo bem, mas eu sentia, pressentia que não. Tentei não me afeiçoar a ti, pois sentia que a qualquer momento te poderia perder. Mas como pode uma mãe não se afeiçoar ao bebé que carrega no seu ventre?!? Impossível... Muitas vezes dava por mim a falar contigo e a acariciar a barriga, começava a te amar, chamava-te de "meu feijãozinho" e já imaginava um futuro para a nossa família. Não valia a pena lutar contra o amor que crescia dentro de mim, ele crescia contigo e eu só tinha de te amar. Mas o medo esteve sempre presente, sempre. Por vezes, até penso se não fui eu que atraí a tua doença, ao recear tanto que algo não estivesse bem contigo. Se não poderão os meus pensamentos mais negativos terem provocado os teus problemas de saúde. Mas não gosto de pensar nisso, porque assim estarei a culpar-me por algo que eu não pude controlar ou evitar. Estavas doente e provavelmente desde o início, seria daí que vinham as minhas dores. O meu corpo terá querido te expulsar, ao detectar anomalias, mas tu agarraste-te à vida e ficaste comigo. Tu sabias que eu te queria e deste-me essa felicidade, ainda que por pouco tempo. A infelicidade que senti depois, ao te perder, foi a mais dolorosa de toda a minha vida, mas o amor que senti e sinto por ti, foi o mais forte que alguma vez terei desfrutado... "Compensa" todo o sofrimento que passei. Quem me dera que esse amor pudesse ter sido desfrutado por nós dois e partilhado entre nós durante toda a nossa vida, após o teu nascimento. Mas tu só pudeste passar por mim e não ficar comigo. E toda a nossa vida foram apenas 18 semanas, mas semanas de amor e felicidade.
Carla André
Carla André
quinta-feira, 28 de março de 2013
Todos os dias, todas as noites...
Todas as noites choro a tua ausência meu anjinho. Todos os dias sinto-me só e vazia sem ti. E hoje tem sido um dia difícil de viver. Hoje tudo me faz chorar. Penso em ti e as lágrimas escorrem da minha alma pelos meus olhos, tristes e desesperadas, tentando aliviar esta dor que se alojou no mais profundo do meu ser. Penso em ti e só desejo que não tenhas conhecido a dor e o sofrimento. Que as dores que senti durante a "nossa" gravidez, fossem as tuas, mas que só eu as pudesse sentir. Que nunca te tenhas apercebido do que te estava a acontecer, à medida que os teus ossos se deformavam e fracturavam. Desejo que não tivesses a noção do que estava prestes a acontecer, quando assinei a tua "sentença de morte". É tudo o que desejo, que não tenhas conhecido a dor e o sofrimento, mas que tenhas sentido, de alguma forma, o quanto eu te amava. Porque o amor não é físico, é espiritual, é um meio de comunicação entre almas que se pertencem. Hoje e todos os dias penso em ti, o meu bebé lindo, o meu menino. Serei tua mãe para sempre. Apesar do pouco tempo que vivemos juntos, serás sempre o meu filho... Filho que perdi, ou que tive de decidir perder. Desejo que a minha decisão tenha evitado o teu sofrimento. Tenho muita pena meu amor, mas não havia outra solução. Eu não podia prolongar a tua vida e deixar-te sofrer. Era muito grave a tua doença, impossível de sobreviver. Por amor te devolvi... e sofri. Não é justo, é cruel. Não me consigo conformar com o nosso triste destino. Não compreendo. Por vezes, tenho um vislumbre de que tivesses um propósito maior, uma missão importante que terias a cumprir, mas outras vezes, penso que sou apenas eu a procurar respostas e a iludir-me com algo que desconheço totalmente. Afinal, se não tenho religião, em que me posso amparar?!? Apenas na força dos espíritos e das almas, nos quais acredito. E numa força maior que tudo domina nesse mundo espiritual. Também lhe posso chamar de Deus, sem lhe dar a típica conotação religiosa. Tudo o que vive tem alma, toda a alma ocupa um corpo pelo tempo que lhe é permitido. As almas se unem porque são partes iguais de si mesmas. Por isso, acredito que eu e tu nos pertencíamos e tínhamos algo a terminar juntos. Lamento este trágico fim, não era o que eu desejava. O que eu desejava era sentir-te dentro de mim, cuidar-me para cuidar de ti, amar-te com todo o meu coração, esperar-te e ter-te, finalmente, nos meus braços. Outra vida nos esperaria, para além da que conheceste. E seria tão bom que este desejo se tivesse concretizado, mas não nos foi concedido viver este grande amor. Todos os dias penso em ti meu anjinho e todas as noites choro a tua ausência. Sem ti, sinto-me perdida e abandonada. A tua presença iluminava-me. Fazias-me feliz e davas-me a sensação de que eu tinha conquistado um novo propósito de vida. Abracei-te com todo o meu amor e a vida separou-te de mim, deixando-me a sofrer tão só. Fiquei, de novo, à deriva ao sabor do vento e do sofrimento. Mas não posso continuar assim... A vida pede-me para recomeçar, mas eu não queria recomeçar sem ti. Por isso, me custa sair deste refúgio que construí para mim. Ao retirar-me desta doce letargia que me envolve, receio afastar-me de ti. Mas tenho de acreditar que vives em mim e que em mim permanecerás. Estamos unidos pelo amor eterno, nada nos pode separar. Um dia teremos o nosso reencontro meu anjinho. Amo-te para todo o sempre...
Carla André
Carla André
quarta-feira, 13 de março de 2013
A tua ausência...
Carla André
quinta-feira, 7 de março de 2013
Meu menino...
Meu anjinho, há muito tempo que não te escrevo... Estamos prestes a fazer dois meses que nos separámos. É muito triste lembrar-me daqueles dias... os dias que antecederam à nossa separação. Há quase dois meses que desapareceste da minha vida física, mas continuas a viver comigo na vida espiritual. Já vivias antes e viverás, até ao dia em que eu deixarei de viver neste corpo que te acolheu e cuidou com tanto amor. Talvez então nos reencontremos. Confesso que hoje não me sinto muito inspirada para escrever, mas encontrei algo que te escrevi no dia 5 de Fevereiro, quando a ferida era ainda muito recente. Só agora começa a cicatrizar... Penso que por isso não te tenho escrito, dói demais quando lhe toco...
Meu amor, sinto-me tão vazia sem ti. Perdi os meus sonhos e a esperança... Há muito tempo que não sonhava assim. Foste tudo para mim. Por um instante, tornaste-te um sonho realizado, uma esperança à muito desejada. E perdi-te... E contigo tudo se foi, tudo perdi. Estou triste meu anjinho. Não sabia que era este o nosso destino. Pensei que ias ficar comigo para sempre... Até a morte me levar um dia. Mas foste tu o escolhido. Vieste apenas de visita, relembrar-me o quanto é bom amar, mostrar-me que tenho ainda muito amor para dar. Era contigo que eu o ia partilhar. Eras e serás o meu menino lindo. O menino que me estava destinado desde o começo da minha vida. Por isso, pensei que ficasses comigo, para vivermos a nossa linda história de amor. Amor que não existe igual. Nenhum amor se compara ao amor entre mãe e filho(a). Nenhum é mais forte ou poderoso. E eu amei-te tanto. Amo. E amarei. Para sempre. Viveste dentro de mim 18 semanas, meu anjinho... Depois tiveste que voltar. Estarás a olhar para mim neste momento?! Ficarás triste por me veres chorar?! São lágrimas de tristeza, perda e saudade. Sinto a tua falta meu bebé lindo. Não existe nada nem ninguém capaz de curar a minha dor. Eu tento meu anjinho, mas de vez em quando vacilo e não lhe consigo resistir. Eu estava tão apaixonada por ti. Já imaginava os nossos momentos de alegria e felicidade. Momentos que me foram roubados sem dó nem piedade. Que missão era a tua, meu anjinho? Que me vieste ensinar? Eu sinto que existe algo que devo aprender, mas talvez não esteja ainda preparada para ver. Acredito que tudo tem uma razão para acontecer, só não percebo porquê... O porquê de nos ter acontecido. Íamos ser tão felizes os dois, os três, os quatro e quem mais se quisesse juntar a nós. Ias receber tanto amor. Eu estava à tua espera há tanto tempo... Porque não pudeste ficar comigo?! Porque a mãe-natureza permitiu que ficasses doente?! Só nos trouxe sofrimento. Nós merecíamos ser felizes. E tão felizes que seríamos! Amo-te para sempre meu anjinho!
Carla André
Meu amor, sinto-me tão vazia sem ti. Perdi os meus sonhos e a esperança... Há muito tempo que não sonhava assim. Foste tudo para mim. Por um instante, tornaste-te um sonho realizado, uma esperança à muito desejada. E perdi-te... E contigo tudo se foi, tudo perdi. Estou triste meu anjinho. Não sabia que era este o nosso destino. Pensei que ias ficar comigo para sempre... Até a morte me levar um dia. Mas foste tu o escolhido. Vieste apenas de visita, relembrar-me o quanto é bom amar, mostrar-me que tenho ainda muito amor para dar. Era contigo que eu o ia partilhar. Eras e serás o meu menino lindo. O menino que me estava destinado desde o começo da minha vida. Por isso, pensei que ficasses comigo, para vivermos a nossa linda história de amor. Amor que não existe igual. Nenhum amor se compara ao amor entre mãe e filho(a). Nenhum é mais forte ou poderoso. E eu amei-te tanto. Amo. E amarei. Para sempre. Viveste dentro de mim 18 semanas, meu anjinho... Depois tiveste que voltar. Estarás a olhar para mim neste momento?! Ficarás triste por me veres chorar?! São lágrimas de tristeza, perda e saudade. Sinto a tua falta meu bebé lindo. Não existe nada nem ninguém capaz de curar a minha dor. Eu tento meu anjinho, mas de vez em quando vacilo e não lhe consigo resistir. Eu estava tão apaixonada por ti. Já imaginava os nossos momentos de alegria e felicidade. Momentos que me foram roubados sem dó nem piedade. Que missão era a tua, meu anjinho? Que me vieste ensinar? Eu sinto que existe algo que devo aprender, mas talvez não esteja ainda preparada para ver. Acredito que tudo tem uma razão para acontecer, só não percebo porquê... O porquê de nos ter acontecido. Íamos ser tão felizes os dois, os três, os quatro e quem mais se quisesse juntar a nós. Ias receber tanto amor. Eu estava à tua espera há tanto tempo... Porque não pudeste ficar comigo?! Porque a mãe-natureza permitiu que ficasses doente?! Só nos trouxe sofrimento. Nós merecíamos ser felizes. E tão felizes que seríamos! Amo-te para sempre meu anjinho!
Carla André
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Há um mês nasceste...
Meu anjinho hoje é Domingo. Faz um mês que nasceste. Passaram 4 semanas desde que nos despedimos. Abandonaste o meu corpo, mas não me deixaste só... Vives no meu coração e aqui permanecerás, num cantinho só teu. Tenho saudades de ti meu amor, mas sei que estarás sempre comigo. Pertencemos um ao outro, és parte de mim e eu sou parte de ti. Serás sempre o meu bebé lindo, o meu menino. Hoje sei, melhor do que nunca, o verdadeiro significado do amor. Vieste me mostrar que viver é amar e sem amar não vale a pena viver. Mesmo que o amor rime constantemente com a dor, é preciso amar todos os dias. E eu vou tentar, meu anjinho. Vou tentar não esquecer que há mais quem mereça esse meu amor. Hoje, tenho plena consciência de que tenho sido negligente na minha forma de amar. E sei que tenho de mudar. Aos poucos vou entendendo melhor a tua missão. Vieste me ensinar o que mais me custa a aprender. Mas à medida que o tempo passa e me afasta de ti, mais me aproxima de mim. E em mim, tu existes. Porque foram apenas nossos corpos que se separaram, os nossos espíritos permanecem unidos, para todo o sempre. Amo-te muito meu anjinho. Serás para sempre meu amor.
Carla André
Carla André
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
A tua missão...
Carla André
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
A minha história...
Perdi o meu filho, à 21 dias. Estava grávida de 18 semanas (clinicamente 20 semanas). Tenho
escrito muito sobre o que sinto, e isso têm-me ajudado a aliviar o meu
sofrimento. Aos poucos a dor vai-se atenuando, mas nunca me abandona por
completo. A cada dia que passa, vou sentindo que tomei a decisão certa... Vou
aceitando a minha perda. O meu bebé era muito doente. Não seria justo para
nenhum de nós, trazê-lo ao mundo, para sofrer. O médico nunca me deu qualquer
esperança, ele poderia morrer dentro de mim, ao nascimento ou algumas horas
após. O que ele tinha, ao certo, ainda não sei. No final de Fevereiro saberei,
ou não, quando me for entregue o resultado dos exames e autópsia. Sei apenas
que era uma doença óssea grave. As fotos do meu bebé confirmam, graves
deformações nos braços e perninhas do meu anjinho. O médico falou em doença
genética... Esperarei pelo seu diagnóstico. Há pouco mais de 15 anos fui mãe de
uma menina. Tinha eu 20 anos, era demasiado jovem para ser mãe. Como tal,
sentia-me contrariada e revoltada. Confesso que pensei em abortar. Felizmente,
não o fiz, não tive essa coragem. Hoje tenho nela a minha melhor amiga, o meu
grande amor. Assumi a minha gravidez e abdiquei de todos os meus sonhos e
projectos, para a criar e amar. Não foi fácil, existiam tantos "ses"
em meus pensamentos. E existia um forte ressentimento contra a minha filha, algo
que eu não conseguia controlar, mas que nunca me impediu de cuidar dela, como
ela merecia. E eu sabia que ela era uma criança feliz. Esforcei-me por ser uma
boa mãe, apesar dos apesares. E cresci com ela. Tornámo-nos amigas,
companheiras... Superámos juntas todos os obstáculos que a vida insistiu em
colocar no nosso caminho. Mas eu sempre senti, que apesar de ter sido uma boa
mãe, que poderia ter sido ainda melhor. Vivi muito à pressa a sua infância, não
desfrutei a 100% todos os momentos, deveria ter sido melhor mãe. Quando voltei
a engravidar, 15 anos depois, julguei que seria esta a minha oportunidade de
voltar a amar assim alguém, agora com menos pressa, com mais prazer. Mas o
destino não o permitiu. Castigo? Talvez... Há 15 anos pensei em abortar um bebé
saudável e agora que desejava tanto este, tive de abortar devido à falta de
saúde. Não sei... Não compreendo. Martirizo-me com este pensamento. Eu que
finalmente estava mais que preparada para ser mãe de novo, com tanto amor para
dar, perdi o meu menino... Não é justo. Não existem palavras no mundo que descrevam esta dor imensa. Não foi uma gravidez planeada mas também não evitada. Vivia momentos de incerteza dentro da minha relação, muitos altos e baixos... Mas a única certeza que eu tinha, é que gostava muito de voltar a ser mãe, ter algo meu e
do meu companheiro, um filho do homem que amo. E tive, ainda que por pouco
tempo... E terei, teremos para sempre. Apesar de tudo, no final
de Setembro descobri que estava grávida. Não fiquei logo feliz, senti uma
aflição no meu peito. Desde meados do mês que sentia fortes dores no
baixo-ventre e rins. Dores que foram se intensificando a cada dia que passava,
assemelhando-se às contracções de um trabalho de parto. No inicio, pensei que a
menstruação desse mês seria bastante dolorosa (como acontecera em outros
meses), e as dores só passariam quando ela chegasse... Afinal estava mesmo
grávida, quando julguei que já não seria possível. Fomos ao hospital, onde
se confirmou a gravidez e sendo o nosso receio, a hipótese de uma gravidez
ectópica, fizeram-me outras análises que tive de repetir dois dias depois.
Disseram-me que estava tudo bem, que apesar de o embrião ser ainda invisível,
estaria bem instalado no meu útero. Quanto às dores, não me souberam
diagnosticar, em mim seriam normais... Aconselharam-me a consultar a minha
ginecologista. O meu maior receio naquele momento, era o facto de trabalhar com
produtos químicos, em contacto com gases altamente tóxicos, numa fábrica sem
condições, sem qualquer tipo de ventilação e sem uso de máscaras próprias para
aquele género de trabalho. Facto a que nem o médico do hospital nem a minha
ginecologista deram importância. Apenas o meu médico de família se interessou
pelo caso, prevenindo-me de que se o meu corpo estava a reagir dessa forma à
gravidez é porque talvez o meu bebé já estivesse intoxicado e o meu organismo o
quisesse expulsar. Ele disse que muitas vezes quando o nosso corpo detecta
essas malformações nas células que se estão formando, a sua resposta, é o
aborto espontâneo. Falou que o melhor seria denunciar as condições na fábrica onde eu
trabalhava. Foi assim que se confirmou a falta de condições no meu local
de trabalho. E eu só pensava para mim "se calhar o mal já está feito, se
calhar o meu bebé já está doente". Só após essa inspecção, é que os meus
patrões se dignaram a vir falar comigo e a informarem-me de quais eram os
químicos realmente tóxicos para o meu embrião e quais os trabalhos que eu
deveria evitar. E só em Novembro me deram uma máscara própria para usar.
Enquanto isso, as dores foram-se atenuando, sentia-as todos os dias, mas cada
vez mais fracas. Como a médica-ginecologista, nunca se mostrou preocupada,
comecei a descontrair e a desfrutar da minha gravidez. Com um inicio de
gravidez tão conturbado, eu tinha tentado não me afeiçoar ao meu
"feijãozinho", mas agora tudo parecia mais normal. E deixei-me levar
ao sabor do amor... Mas a minha preocupação mantinha-me, sempre alerta, porque
eu achava que as dores que sentia não eram, de facto, normais. Eu amava o meu
bebé, mas sentia-me angustiada, algo em mim me avisava que ele não estava bem.
Tentei ignorar essa voz que me falava todos os dias para me preparar... Quando
fui à consulta das 12 semanas (clinicamente falando, porque eu estaria de 10),
a ginecologista disse que estava tudo bem e que portanto só precisava de voltar
dali a 6 semanas, dia 5 de Janeiro de 2013. Saí do consultório tão feliz, que
rumei ao shopping mais próximo para presentear o meu bebé com alguma
roupinha... Finalmente, me senti mais aliviada. Mas a tal voz nunca me
abandonou. Eu desprezei-a totalmente e decidi amar o meu bebé como ele merecia.
E sonhava, como ele seria, com os momentos que iriamos partilhar, com todo o
amor que eu tinha para lhe dar. Estava tão feliz! E sentia que ia ser um
menino, o meu menino. Dia 5 de Janeiro chegou, sentia-me nervosa e muito
ansiosa. Adoeci dois dias antes, sentia-me estranha... receosa. Antes de entrar
no consultório, tremia. Percebi que algo não estava bem, mas quis ignorar o que
sentia. Quando, finalmente, a médica iniciou a ecografia, o meu coração bateu
mais forte... Senti a sua apreensão. Ela media e media, repetia e repetia,
demorava e demorava. O meu coração encolheu-se no meu peito. Finalmente, ela
demonstrou um pouco mais de calor no meio da sua tipica frieza. Estava
preocupada. Disse que o meu bebé parecia ter os ossos das pernas muito curtos.
Marcou-nos uma consulta com um outro especialista. Apartir desse dia, as lágrimas
foram minha companhia. O meu bebé estava doente, e eu já há muito que sabia...
Tinha consulta, no hospital, no dia 8 de Janeiro, Terça-feira, às 13 horas.
Entrei na madrugada desse mesmo dia, nesse mesmo hospital, com uma hemorragia.
Observaram-me, fizeram nova ecografia e não detectaram o problema. Fiquei
internada para observação. Às 13 horas e 30 minutos, fui atendida pelo médico,
simpático e atencioso. Fez-me a ecografia "especial" e foi
conversando comigo, não demonstrando qualquer tipo de emoção. Senti-me mais
aliviada, "talvez não seja nada" pensei eu. Acabando o exame, disse-me
que tinha uma reunião de seguida e, que portanto, só depois poderia falar
comigo e apresentar-me o resultado da ecografia. Fiquei de novo alerta, ele
talvez para me acalmar, ofereceu-me uma "foto" do rosto do meu bebé.
Fiquei fascinada, conseguia ver os olhinhos, a boquinha e o lindo narizinho. Ao
fim de duas horas o médico pediu para falar comigo e de uma forma bastante
penosa me informou que o meu bebé tinha graves problemas, indicando uma grave
doença óssea. As lágrimas saltaram-me dos olhos e uma dor imensa invadiu todo o
meu corpo, apertando o meu coração. Perguntei-lhe se podíamos fazer alguma
coisa, e ele respondeu que não. Cada vez que me lembro desse momento, a dor volta
com a mesma intensidade. Como é possível uma mãe ter de sofrer assim?
Continuámos a falar, mas eu só queria fugir, para longe daquele pesadelo,
daquela minha realidade. Ele queria fazer mais exames, inclusivé, a
amniocentese. Falei-lhe no aborto. Ele aconselhou-me a esperar um pouco mais,
ou até mesmo a avançar com a gravidez, visto que muitas vezes, só ao fim dos
nove meses de gestação se pode diagnosticar melhor a doença. Concordei apenas
com a amniocentese, o que me obrigaria a esperar mais um mês. O médico
"convenceu-me" ao dizer que os riscos de fazer o aborto agora ou
depois seriam os mesmos para mim. Fui para o quarto lavada em lágrimas...
Afinal, tudo o que eu sentia desde o inicio, era verdade, o meu bebé estava
condenado. Sozinha, pensando de mim para mim, cheguei à conclusão que o ficar à
espera mais um mês, só me faria pior emocionalmente. O médico tinha-me
garantido que não havia esperanças para o meu bebé. Apenas queria estudar o meu
caso, afinal, eles antes de serem médicos, são cientistas. O meu companheiro
veio ter comigo ao hospital, depois do trabalho, e decidimos então que não
valia a pena esperar, íamos abortar. No dia seguinte, informei o médico, que
ficou desiludido comigo e me disse que apesar da doença, aquela vida pertencia
ao meu bebé... Respondi-lhe que não era justo, nem para mim nem para o meu
bebé, trazê-lo a este mundo para sofrer... Era eu que tinha de decidir. Visto
que a amniocentese não iria nunca mudar o estado de saúde do meu bebé, eu tinha
de abortar e não podia esperar. Eu só queria que aquele triste sonho acabasse e
ir para casa... Para os braços da minha filha e do homem que amo. Ele
explicou-me então como seria todo o procedimento: primeiro tinha de conversar
com uma psiquiatra que atestaria se eu estava em condições psicológicas de
tomar aquela decisão. No dia seguinte, tomaria três comprimidos que iriam
preparar o meu corpo para a expulsão do meu bebé. Depois, iria para casa dois
dias e, voltaria ao hospital, onde me aplicariam um ou dois comprimidos, via vaginal,
para induzir o trabalho de parto. No final, perguntei-lhe se o meu bebé iria
sofrer, ele respondeu que os cientistas crêem que neste tempo de vida, os bebés
não sentem qualquer dor... Eu quis acreditar, mas o facto de ele não me olhar
nos olhos ao falar-me, deixou-me na dúvida. Mas tentei acreditar na mesma, o meu
bebé não podia sofrer, e certamente não teria passado por esta vida para saber
o que é o sofrimento. E era a isso, que eu o iria poupar. Foi a semana mais
triste de toda a minha vida. Nunca pensei sentir dor igual. Que angústia, que
agonia. Sexta-feira dia 11 de Janeiro tomei os 3 comprimidos. Antes disso, e devido às dores que eu sentira na noite anterior, o médico fez-me outra ecografia, a placenta já se começara a descolar... Para mim era um sinal, sinal de que este era já o fim destinado ao meu bebé. Voltei para casa. Passei o tempo a chorar. Sábado senti a necessidade de me despedir do meu
bebé, enquanto ele ainda vivia dentro de mim. Escrevi-lhe uma carta, dizendo
tudo o que sentia, e pedindo-lhe desculpa... Assim me despedi dele, prometendo
amá-lo sempre e para sempre. No Domingo voltei ao hospital, fui internada às 10
horas, o meu bebé "nasceu" às 19 horas do dia 13 de Janeiro de 2013.
O meu dia mais infeliz... Quando o seu corpo abandonou o meu, algo em mim se
perdeu, algo meu morreu... E eu chorei como nunca tinha chorado. Como será
possível alguém sofrer assim? Eu amava tanto o meu anjinho e fui obrigada a
enviá-lo de volta ao seu mundo. Após o seu "nascimento" a enfermeira
cuidou dele com muito carinho, como se ele fosse vivo... Perguntou se eu o
queria ver, mas fui incapaz. No final, ofereceu-me umas fotos dele, que só fui
capaz de ver no passado Domingo. Estava tão doente o meu menino... Porque a
mãe-natureza permitiu tal coisa? Chorei tanto depois de ver as fotografias do
meu anjinho... Ele não merecia. Ele merecia ser feliz comigo... E talvez o
tenha sido. Eu amei-o, e amo, tanto. Ele sentiu o amor que eu tinha por ele...
E foi por isso, que no final, não me importei de o acompanhar até ao fim da sua
viagem, mesmo com toda a dor física que senti. Porque ele merecia que eu
estivesse a seu lado. E a dor física não era nada, em relação à dor que eu
sentia na minha alma, ao entregá-lo de volta ao mundo, puro e inocente, onde os
anjos repousam e olham pela gente. Hoje, sinto que foi nesse momento, que os
nossos corpos se separaram e as nossas almas se uniram para todo o sempre.
Carla André
Carla André
Antes do aborto...
10 de Janeiro de 2013
Estou no
hospital à espera que o médico me diga quando iniciaremos o procedimento, a
expulsão do meu bebé... Estou grávida de 17 semanas (clinicamente 19). Imagino
que o pior ainda esteja para vir, mas este tempo de espera corrói-me por
dentro. Quem me dera que o meu bebé fosse saudável e eu não tivesse que o tirar
de dentro de mim. Mas a realidade é outra... No Sábado a minha médica viu que
algo não estava bem e encaminhou-me para esta clinica. Terça um médico
especializado efectuou a ecografia que veio a confirmar que o meu bebé não é
nem nunca será saudável. Ao certo não soube explicar, só me disse que tem
graves problemas a nível ósseo (esqueleto) e que precisava de mais tempo para
diagnosticar a doença. De qualquer forma, não me deu qualquer esperança, ao
dizer que tudo o que via eram indícios de graves doenças, e que não podia fazer
nada pelo meu bebé. Falou na hipótese de ele poder morrer durante a gestação,
após o parto ou mesmo sobrevivendo, que teria pouco tempo de vida. Mas tudo
isso seria, será, uma incógnita. Ainda assim, apesar de compreender a minha
decisão, tentou convencer-me a não abortar. Aqui na Suíça, a mentalidade é
outra... Aconselhou-me a fazer a amniocentese, esperar os resultados e fazer
mais análises e outra ecografia, para ele tentar compreender melhor a doença.
Após isso, poderia abortar na mesma se assim o desejasse. Aliás, ao que
entendi, o ideal para ele seria eu levar a gravidez avante, porque só nessa
altura, ele poderia diagnosticar realmente a doença do meu bebé. Eu pensei para
mim "ele é médico, mas é em primeiro lugar um cientista... é normal que me
incentive a continuar a gestação, para continuar a sua investigação
cientifica". Por outro lado, falou-me que era uma vida que estava dentro
de mim (eu que sei isso melhor do que ele), uma vida que tem direito a viver...
ao que eu respondi que tipo de vida teria este bebé se sobrevivesse? Óbvio que
não me soube responder, apenas me soube dizer que muita gente opta por ter os
seus bebés apesar das doenças e deficiências. Eu apenas lhe disse que isso não
seria justo para mim e para o bebé, eu nunca iria trazer ao mundo uma criança
para sofrer, ou para servir de cobaia a uma equipa de cientistas e médicos.
Apesar de sentir que ele compreende a minha decisão, não senti apoio da sua parte.
E enquanto espero, vou-me despedindo do meu bebé e ao mesmo tempo tentando
ignorá-lo, para evitar maior sofrimento, mas é impossível, e só quem passou por
este momento de angústia é que me consegue compreender. Pelo que percebi, eles
vão tentar que o procedimento seja o menos doloroso para o bebé (será isso
possível?) e para mim, óbvio. Ainda irei para casa com ele este fim de semana
(ele, um menino)... mas este tempo de espera mata-me, pensei que seria mais
rápido. Tomarei 3 comprimidos e irei para casa por 2 dias, o tempo para o meu
organismo se preparar, depois virei para a clinica onde me darão um ultimo
comprimido, que supostamente, induzirá o aborto/parto... só espero que me
ponham a dormir, não quero essa triste recordação. Tudo isto e já tao doloroso,
não preciso de recordar esse momento, já ficarei marcada por esta dor para
sempre. Só preciso que isto acabe rápido para eu poder voltar para casa e
tentar "esquecer" tudo. Voltar, aos poucos, à minha vida, à minha
filha que adoro, ao homem que amo. Quanto ao meu bebé, acredito que seja um
anjinho que teria a sua missão e que talvez já a tenha cumprido. Talvez a sua
missão fosse eu, e eu só a compreenderei mais tarde... Porque finalmente,
apesar de todos os sinais (o mal-estar e dores que eu sabia não serem normais),
resolvi ter esperança em algo, afinal algo sem esperança. Não sei como irei
superar isto, mas sei que o farei e sei que este bebé ira ser recebido no lugar
onde os anjos repousam.
Continuo à
espera que o médico me informe de quando iniciaremos o procedimento. Sinto que
uma parte de mim morre lentamente... e na verdade, morrerá em breve. Sinto
que tomei a decisão certa, mas nem por isso deixa de ser dolorosa. E é por isso
que eu não posso, não devo esperar muito mais, dói muito senti-lo dentro de mim
sabendo que nunca o irei ter nos meus braços. Prefiro chorar agora do que
chorar mais tarde por não ter tomado esta decisão. O médico tem a certeza que
ele não é normal nem saudável, só não consegue identificar ainda a doença.
Porque hei-de eu esperar mais tempo, fazer mais exames, se nada disso mudará o
estado de saúde do meu bebé? Mais tempo trará mais dor e sofrimento. Agora só
quero acordar deste pesadelo... foi um lindo sonho, mas acabou.
"E
se..." existirá sempre, mas eu acredito no médico. A minha médica viu algo
de errado nos ossos das pernitas, a médica que me observou na madrugada de
terça-feira viu o mesmo. Tinha o exame marcado para as 13 horas mas tive de vir
às urgências porque comecei com uma hemorragia, nessa madrugada, que ainda não
parou e os médicos não sabem de onde vem. O médico às 13 horas e 30 fez-me a
tal ecografia "especial" que detectou os restantes problemas, graves
problemas. Ele disse que até mesmo os sintomas que tenho (dores fortíssimas e
mal-estar geral) desde o inicio da gravidez, são indicativos de que algo não
estava bem. Já o meu medico de família me tinha "avisado" disso, mas
como ainda era cedo para detectar algo e a minha ginecologista não se mostrou
preocupada, apesar de dizer que as minhas dores não eram normais... eu mantive
sempre a esperança de que estaria tudo bem com o meu bebé. O facto é que eu
acredito no médico, a medicina evoluiu bastante nos últimos anos e ele próprio
quis ser sincero e não me dar falsas esperanças quanto à saúde do meu bebé. Eu
acredito, porque desde o inicio que sentia que algo estava errado com o meu
bebé e os factores à minha volta mais me "ajudavam" a recear... tenho
36 anos, tenho uma deformação acentuada no útero, trabalho com químicos
altamente tóxicos, e afinal o meu companheiro tem, na família, casos de doenças
nos ossos. As dores continuam, por vezes mais fortes, e a hemorragia, apesar de
ser mais fraca, também. Pergunto-me porque é que a natureza não me ajuda então,
em vez de termos de forçar o aborto. Tudo isto, para mim, é um sinal que está
na hora de nos separarmos. E não digo isto porque o deseje, mas porque começo a
aceitar que tem mesmo de ser. Apenas me resigno à realidade. O meu desejo é que
o meu bebé fosse saudável e que não tivéssemos de passar por isto. Mas não há
nada a fazer quanto a isso. A única coisa que posso fazer é evitar a nossa
infelicidade e de quem nos rodeia...
Carla André
Carla André
À espera...
11 de Janeiro
de 2013
Continuo à
espera... À espera que o médico se digne a vir falar comigo... porque é que
prolongam o meu sofrimento? Sendo já um momento tão penoso, porque não me
ajudam a "aliviar" esta dor que me rasga por dentro? Porquê esta
tortura cruel? Não chega eu descobrir que o meu bebé é doente e ter de decidir
pôr um fim a sua vida? Haverá sofrimento maior? Nunca perdi ninguém na vida,
que eu amasse... mas não imagino que haja maior perda que a de um filho. É uma
parte de nós que morre e que dói para sempre. Apesar dele só existir à quase 18
semanas, dentro de mim, amo-o como se já fizesse parte da minha vida à muito
muito tempo. Esse amor nasce dentro de nós e vai crescendo à medida que o bebé
se vai desenvolvendo. A ligação entre nós se fortalece a cada dia que passa.
Não é justo passar por isto. Se algo não estava bem, porque é que a natureza
não se encarregou da situação? Seria melhor assim... Eu sentia que algo não
estava bem. Mesmo antes de descobrir que estava grávida, as dores intensas que
eu sentia, como se estivesse em trabalho de parto, não eram normais. Esperei
pela menstruação que não veio e fiz teste, estava grávida. Não fiquei feliz
porque receei imediatamente que algo não estivesse bem. Podia estar para
abortar ou ser uma gravidez ectópica... dirigi-me às urgências que me enviaram
para esta mesma clinica. Não perceberam o porquê das dores, o embrião era
"invisível", mas através de análises ao sangue disseram-me que não
era gravidez ectópica. Para confirmar, marcaram novas analises para 2 dias
depois. Estava tudo bem. Aconselharam-me a marcar consulta na minha
ginecologista, assim o fiz. Mas eu não estava descansada e as dores continuaram
por mais 2 semanas. Após esse tempo, acalmaram mas continuaram sempre, no
baixo-ventre e rins. A minha maior preocupação era o facto de trabalhar com
produtos químicos e tóxicos, numa fábrica mal ventilada, sem máscara própria...
facto que foi ignorado, tanto pelo médico que me atendeu nas urgências desta
clinica, assim como, pela minha ginecologista. Hoje penso se esse factor não
terá também tido influência no estado de saúde do meu bebé. Como terei de
continuar com a minha vida após esta "execução", o meu primeiro passo
será demitir-me. Se essas condições de trabalho não tivessem sido denunciadas
às autoridades competentes, os meus chefes nunca se teriam preocupado ou
interessado pelo meu estado de gravidez. Só após essa inspecção, em que se
confirmaram as tais faltas de condições, é que se dignaram a falar comigo e a
me informarem sobre o que era realmente prejudicial e quais os trabalhos que eu
deveria evitar. Algo com que nem a minha médica se preocupou em se informar.
Recentemente, outra colega assumiu também a sua gravidez e informou o patrão de
que o seu médico pedia informações sobre os produtos químicos com que
trabalhamos, justificando que não achava que aquele fosse trabalho para uma
mulher grávida. Essas informações foram-me também entregues e só apos isso é
que a minha ginecologista se mostrou mais interessada. Isto, no Sábado passado,
quando verificou que algo não estava bem com os ossos do meu bebé. Se a culpa é
da minha idade, da genética ou dos produtos tóxicos com que trabalho, não sei.
Por vezes, penso que fui eu que atraí este mal, ao pensar tanto nisto, nos meus
medos e receios... tantas vezes que "pedi" para que o meu bebé fosse
perfeitamente normal e saudável, mas penso que é normal pensar-se assim... É o
que todas as mães desejam.
Finalmente o médico apareceu, rodeado
de uma vasta equipa, disse que logo que terminasse a ronda, viria falar comigo.
Já passou mais de uma hora, aproximando-se a hora do almoço, só já devemos
conversar após as 14 horas. Eu só queria que isto terminasse e eu pudesse ir
para casa, fechar-me no meu quarto e chorar enquanto me despeço do meu bebé.
Andei a investigar, aqui na internet, as várias doenças ósseas que existem,
talvez a tenha encontrado, visto que o seu perfil se encaixa naquilo que o
medico me disse... displasia camptomelica. Se assim é, sem dúvida que tomei a
decisão correcta. Apesar disso, a tristeza e agonia insistem em me torturar.
Tinha tantos planos com o meu bebé... Só quero resolver esta situação e correr
para junto da minha filha, a minha melhor amiga, o amor da minha vida. Este meu
filho ficará sempre comigo, dentro de mim, do meu coração. Talvez a sua curta
existência tivesse um propósito maior, que ainda não compreendo... mas acredito
que em breve irei descobrir. Adeus meu anjinho...
Carla André
Carla André
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