11 de Janeiro
de 2013
Continuo à
espera... À espera que o médico se digne a vir falar comigo... porque é que
prolongam o meu sofrimento? Sendo já um momento tão penoso, porque não me
ajudam a "aliviar" esta dor que me rasga por dentro? Porquê esta
tortura cruel? Não chega eu descobrir que o meu bebé é doente e ter de decidir
pôr um fim a sua vida? Haverá sofrimento maior? Nunca perdi ninguém na vida,
que eu amasse... mas não imagino que haja maior perda que a de um filho. É uma
parte de nós que morre e que dói para sempre. Apesar dele só existir à quase 18
semanas, dentro de mim, amo-o como se já fizesse parte da minha vida à muito
muito tempo. Esse amor nasce dentro de nós e vai crescendo à medida que o bebé
se vai desenvolvendo. A ligação entre nós se fortalece a cada dia que passa.
Não é justo passar por isto. Se algo não estava bem, porque é que a natureza
não se encarregou da situação? Seria melhor assim... Eu sentia que algo não
estava bem. Mesmo antes de descobrir que estava grávida, as dores intensas que
eu sentia, como se estivesse em trabalho de parto, não eram normais. Esperei
pela menstruação que não veio e fiz teste, estava grávida. Não fiquei feliz
porque receei imediatamente que algo não estivesse bem. Podia estar para
abortar ou ser uma gravidez ectópica... dirigi-me às urgências que me enviaram
para esta mesma clinica. Não perceberam o porquê das dores, o embrião era
"invisível", mas através de análises ao sangue disseram-me que não
era gravidez ectópica. Para confirmar, marcaram novas analises para 2 dias
depois. Estava tudo bem. Aconselharam-me a marcar consulta na minha
ginecologista, assim o fiz. Mas eu não estava descansada e as dores continuaram
por mais 2 semanas. Após esse tempo, acalmaram mas continuaram sempre, no
baixo-ventre e rins. A minha maior preocupação era o facto de trabalhar com
produtos químicos e tóxicos, numa fábrica mal ventilada, sem máscara própria...
facto que foi ignorado, tanto pelo médico que me atendeu nas urgências desta
clinica, assim como, pela minha ginecologista. Hoje penso se esse factor não
terá também tido influência no estado de saúde do meu bebé. Como terei de
continuar com a minha vida após esta "execução", o meu primeiro passo
será demitir-me. Se essas condições de trabalho não tivessem sido denunciadas
às autoridades competentes, os meus chefes nunca se teriam preocupado ou
interessado pelo meu estado de gravidez. Só após essa inspecção, em que se
confirmaram as tais faltas de condições, é que se dignaram a falar comigo e a
me informarem sobre o que era realmente prejudicial e quais os trabalhos que eu
deveria evitar. Algo com que nem a minha médica se preocupou em se informar.
Recentemente, outra colega assumiu também a sua gravidez e informou o patrão de
que o seu médico pedia informações sobre os produtos químicos com que
trabalhamos, justificando que não achava que aquele fosse trabalho para uma
mulher grávida. Essas informações foram-me também entregues e só apos isso é
que a minha ginecologista se mostrou mais interessada. Isto, no Sábado passado,
quando verificou que algo não estava bem com os ossos do meu bebé. Se a culpa é
da minha idade, da genética ou dos produtos tóxicos com que trabalho, não sei.
Por vezes, penso que fui eu que atraí este mal, ao pensar tanto nisto, nos meus
medos e receios... tantas vezes que "pedi" para que o meu bebé fosse
perfeitamente normal e saudável, mas penso que é normal pensar-se assim... É o
que todas as mães desejam.
Finalmente o médico apareceu, rodeado
de uma vasta equipa, disse que logo que terminasse a ronda, viria falar comigo.
Já passou mais de uma hora, aproximando-se a hora do almoço, só já devemos
conversar após as 14 horas. Eu só queria que isto terminasse e eu pudesse ir
para casa, fechar-me no meu quarto e chorar enquanto me despeço do meu bebé.
Andei a investigar, aqui na internet, as várias doenças ósseas que existem,
talvez a tenha encontrado, visto que o seu perfil se encaixa naquilo que o
medico me disse... displasia camptomelica. Se assim é, sem dúvida que tomei a
decisão correcta. Apesar disso, a tristeza e agonia insistem em me torturar.
Tinha tantos planos com o meu bebé... Só quero resolver esta situação e correr
para junto da minha filha, a minha melhor amiga, o amor da minha vida. Este meu
filho ficará sempre comigo, dentro de mim, do meu coração. Talvez a sua curta
existência tivesse um propósito maior, que ainda não compreendo... mas acredito
que em breve irei descobrir. Adeus meu anjinho...
Carla André
Carla André
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