Todas as noites choro a tua ausência meu anjinho. Todos os dias sinto-me só e vazia sem ti. E hoje tem sido um dia difícil de viver. Hoje tudo me faz chorar. Penso em ti e as lágrimas escorrem da minha alma pelos meus olhos, tristes e desesperadas, tentando aliviar esta dor que se alojou no mais profundo do meu ser. Penso em ti e só desejo que não tenhas conhecido a dor e o sofrimento. Que as dores que senti durante a "nossa" gravidez, fossem as tuas, mas que só eu as pudesse sentir. Que nunca te tenhas apercebido do que te estava a acontecer, à medida que os teus ossos se deformavam e fracturavam. Desejo que não tivesses a noção do que estava prestes a acontecer, quando assinei a tua "sentença de morte". É tudo o que desejo, que não tenhas conhecido a dor e o sofrimento, mas que tenhas sentido, de alguma forma, o quanto eu te amava. Porque o amor não é físico, é espiritual, é um meio de comunicação entre almas que se pertencem. Hoje e todos os dias penso em ti, o meu bebé lindo, o meu menino. Serei tua mãe para sempre. Apesar do pouco tempo que vivemos juntos, serás sempre o meu filho... Filho que perdi, ou que tive de decidir perder. Desejo que a minha decisão tenha evitado o teu sofrimento. Tenho muita pena meu amor, mas não havia outra solução. Eu não podia prolongar a tua vida e deixar-te sofrer. Era muito grave a tua doença, impossível de sobreviver. Por amor te devolvi... e sofri. Não é justo, é cruel. Não me consigo conformar com o nosso triste destino. Não compreendo. Por vezes, tenho um vislumbre de que tivesses um propósito maior, uma missão importante que terias a cumprir, mas outras vezes, penso que sou apenas eu a procurar respostas e a iludir-me com algo que desconheço totalmente. Afinal, se não tenho religião, em que me posso amparar?!? Apenas na força dos espíritos e das almas, nos quais acredito. E numa força maior que tudo domina nesse mundo espiritual. Também lhe posso chamar de Deus, sem lhe dar a típica conotação religiosa. Tudo o que vive tem alma, toda a alma ocupa um corpo pelo tempo que lhe é permitido. As almas se unem porque são partes iguais de si mesmas. Por isso, acredito que eu e tu nos pertencíamos e tínhamos algo a terminar juntos. Lamento este trágico fim, não era o que eu desejava. O que eu desejava era sentir-te dentro de mim, cuidar-me para cuidar de ti, amar-te com todo o meu coração, esperar-te e ter-te, finalmente, nos meus braços. Outra vida nos esperaria, para além da que conheceste. E seria tão bom que este desejo se tivesse concretizado, mas não nos foi concedido viver este grande amor. Todos os dias penso em ti meu anjinho e todas as noites choro a tua ausência. Sem ti, sinto-me perdida e abandonada. A tua presença iluminava-me. Fazias-me feliz e davas-me a sensação de que eu tinha conquistado um novo propósito de vida. Abracei-te com todo o meu amor e a vida separou-te de mim, deixando-me a sofrer tão só. Fiquei, de novo, à deriva ao sabor do vento e do sofrimento. Mas não posso continuar assim... A vida pede-me para recomeçar, mas eu não queria recomeçar sem ti. Por isso, me custa sair deste refúgio que construí para mim. Ao retirar-me desta doce letargia que me envolve, receio afastar-me de ti. Mas tenho de acreditar que vives em mim e que em mim permanecerás. Estamos unidos pelo amor eterno, nada nos pode separar. Um dia teremos o nosso reencontro meu anjinho. Amo-te para todo o sempre...
Carla André

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