Nascerias hoje? Ou terias já nascido? Nunca saberei. Nasceste em Janeiro, sem vida. Tinhas uma doença grave, não irias sobreviver. Mas nasceste como qualquer outro bebé, merecias esse carinho. Senti que partiste na noite anterior, chorei desconsoladamente. No meu ventre, tive a sensação de que te encolhias sobre ti mesmo. Acariciei-te e chorei, despedindo-me em pensamento. No dia seguinte não mais te senti e ao fim do dia te devolvi. Foi por amor que o fiz. Não podia permitir que sofresses. Tu merecias amor e felicidade, nunca sofrimento. E eu amei-te e senti que me amaste, foi por isso que me escolheste. Acolhi-te no meu ventre e juntos fomos felizes. Pedi-te perdão pelo meu acto, mas por amor uma mãe é capaz de tudo. Nunca me perdoaria se te deixasse sofrer por um segundo. Se fosses saudável, talvez nascesses hoje, como era previsto. Mas nunca saberei. Partiste em Janeiro, era esse o teu destino. Acredito que um dia nos reencontraremos. Porque tu me pertences e eu te pertenço. Somos almas-gémeas. Estaremos para sempre unidos. O nosso amor é intemporal, espiritual. E em mim perdurarás até ao meu último sopro de vida. Amo-te para sempre meu anjinho.
Carla André
Carla André

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