Meu filho, meu menino, meu anjinho...

Meu anjinho, sinto a ânsia de te esperar, mesmo sabendo que não mais irás voltar. Tenho esperado por ti como se ainda viesses, como se estivesses para chegar. Assim seria se não fosse a tua doença. Ontem fez 20 semanas que partiste, que te devolvi ao teu mundo. O mundo onde pertencias, do qual saiste apenas para me vires visitar. O porquê continua a ressoar em meus pensamentos. Porque é que não vieste para ficar? É a questão que contêm todas as outras questões. É a questão que mais me magoa. Vivo triste desde que partiste e regressaste ao teu lugar. Pensei que o teu lugar seria comigo... E talvez seja, no meu coração. Senti-me tão feliz com a tua visita... Fizeste-me tão bem meu amor! O que chorei e sofri depois, fazia parte deste nosso amor que ficará para sempre marcado na minha alma. Amei-te tanto meu anjinho... Amei amar-te. E amo-te com todo o meu coração. Sei que ficaremos unidos para todo o sempre. Sei que não vieste para me magoar, mas para me fazeres feliz. E eu fui meu amor... Mas lamento que não te tenha sido permitido ficares comigo. Eu queria-te tanto! Nunca na minha vida desejei tanto algo ou alguém... Foste o despertar de sonhos adormecidos e esperanças esquecidas. Sonhos e esperanças que desejo enterrar, mas que insistem em brotar, magoando-me ao me relembrarem de ti. Mas eu não te quero esquecer, apenas não queria lembrar de que te perdi. Estás tão longe e ao mesmo tempo tão próximo, tão interno e eterno... Circulas nas minhas veias, palpitas no meu coração, escorres nas minhas lágrimas. Do todo em mim existe um pouco de ti. Sinto que ficarás comigo até ao fim dos meus dias, até ao dia em que te reencontrar. Um dia seremos felizes juntos e o nosso amor se irá concretizar. Quero e preciso acreditar. Pois não consigo aceitar que tivémos este fim e que tudo entre nós terminou. Não pode ser, foste muito importante para mim. No dia em que te devolvi, a agonia, a mágoa e o sofrimento abateram-se sobre todo o meu ser. Senti o toque profundo da morte em todo o meu corpo, ferindo a minha alma. Foi como uma implosão de dor. Dentro de mim tudo gemeu e ruiu. Parte de mim não queria estar ali, presente, consciente... Essa parte minha queria estar adormecida e despertar apenas após a tua partida. Mas eu não podia te abandonar, eu sabia que tinha de te acompanhar até ao fim da tua viagem. Tu merecias ter-me a teu lado, guiando-te pelo teu caminho de regresso. Por muito doloroso que fosse, era essa a minha função... Entregar-te de volta, intacto, puro e inocente. Te DAR À LUZ meu anjinho. Por muito infeliz que me sinta, por te ter perdido, a felicidade que senti ao te amar, compensa qualquer lágrima derramada, qualquer ferida dilacerada. Sei que tenho de recomeçar. A vida tem passado e eu tenho apenas olhado para ela sem vontade de a viver. Eu sei que te prometi vivê-la, mas é difícil recomeçar sem ti. Depois do que sonhei e desejei para nós, é mais difícil o recomeço. Mas quase 5 meses passaram desde que partiste e amanhã seria a data prevista do teu nascimento. Não posso mais esperar por ti porque sei que não vais voltar. Não foi um pesadelo do qual, em breve, irei acordar. Foi a realidade a esbofetear-me de forma cruel e perversa. Penso na tua missão e sinto que era algo muito importante. Tenho orgulho em ti meu anjinho. Apesar da dor, ficou o amor e a recordação de uma plena felicidade que eu desconhecia. E por isso te agradeço. Amar-te-ei para sempre meu filho, meu menino, meu anjinho.
Carla André
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