domingo, 13 de outubro de 2013

Domingo dia 13...

Meu anjinho, hoje é Domingo dia 13... Recorda-me o dia em que partiste, Domingo dia 13 de Janeiro. Foi à nove meses que nos separámos. Sinto que é de certa forma um dia especial. Não é um dia feliz, mas é um Domingo especial. Marca o dia em que te dei à Luz e te devolvi. Marca o dia mais infeliz da minha vida. Desde então, a tristeza não me abandona, tem sido a minha fiel companheira nestes últimos 9 meses. Sinto que ainda não superei e sei que preciso de aceitar o que nos aconteceu para me recuperar. Mas não é fácil. Atravessar toda esta dor será a minha maior batalha. Não consigo deixar de me sentir culpada, falhada, derrotada. Não consegui te proteger da fatídica doença, não consegui dar-te uma vida. Fui uma mãe impotente, incapaz de te defender do mal que te atacou. A única forma que tive de te proteger foi libertar-te do meu corpo e te devolver. Sinto que não podia fazer nada mais por ti, mas nem por isso me sinto mais aliviada. Sei que fiz o que era correcto, mas não consigo deixar de me sentir revoltada contra este nosso destino. A vida tem sido tão cruel. Ao fim de tanta luta e lágrimas, "premiou-me" com mais luta e lágrimas. Não é justo. Não compreendo. O que nos aconteceu marcou-me para sempre. É uma ferida que não sara, uma dor que não passa, é uma parte de mim que não vive mais, que morreu quando partiste. Mas eu sei que existes algures, não aceito a morte como um fim. Em mim sempre existirás, mas quero acreditar que vives para além desta vida. Sinto que te devia homenagear todos os dias, sorrindo, amando, vivendo, mas a tristeza que ficou impede-me de cumprir essas três simples necessidades humanas. Mas sei que devo fazê-lo e que devo recordar apenas a felicidade que me trouxeste, os momentos felizes que vivi contigo dentro de mim. Foi uma breve existência sempre assombrada pela sensação de que algo estava mal, mas mesmo assim a alegria de te ter era maior e eu só desejava que tudo o que eu pressentia não fosse real, que fosse apenas a minha mente a mentir-me. Quis acreditar que finalmente a vida me ia recompensar após tanta provação. Mas não foi o que aconteceu. Perdi-te, fui obrigada a perder-te. O meu maior acto de amor foi libertar-te do meu corpo e devolver-te à Luz. Era tudo o que eu podia fazer para evitar o teu sofrimento. Morrerias no meu ventre de qualquer forma, eu apenas antecipei a tua partida. Não foi fácil, nunca me senti tão infeliz em toda a minha vida. Mas sei que não posso continuar a recordar apenas os momentos dolorosos desta nossa história de amor. Porque eu vivi momentos muito felizes contigo. Em mim despertaste sonhos, ressuscitaste a esperança,  fizeste-me acreditar de novo na felicidade. Nunca me senti tão plena e tão orgulhosa de mim. Eras tudo o que eu desejava. Mas a vida não nos permitiu continuar e logo nossos caminhos se separaram. A nossa viagem terminou. Rumaste para o teu mundo e eu fiquei perdida neste labirinto chamado vida. Mas apesar de todo o sofrimento, eu amei ter-te comigo, tudo o que me fizeste sentir foi bom demais para se apagar. Não me posso esquecer do quão feliz fui contigo enquanto exististe. E é isso que eu devo valorizar, todos os bons sentimentos e pensamentos de que usufruí enquanto vivias dentro de mim. E continuarás a viver, meu anjinho. Por isso, tudo que senti de bom, tem de continuar a existir. A tua vi(n)da não pode ter sido em vão. Perdoa-me por continuar presa à dor da tua perda. Sei que tenho de me libertar e recomeçar. O tempo passa e a vida também, e eu não vivo, apenas existo. Não foi com esse propósito que me vieste visitar. Vieste-me mostrar que existem mais caminhos e que todos eles nos levam à felicidade se a quisermos realmente alcançar. O fim de algo é sempre um recomeço, uma nova oportunidade de reescrever a nossa história. E tu vieste a mim para me oferecer essa tal oportunidade, a qual tenho desperdiçado por passar todos os meus dias a lamentar o nosso destino. Perdoa a minha letargia, mas tem sido muito doloroso aceitar a tua ausência. Perdoa-me por continuar a viver no modo condicional e deixar tantas vezes que os "ses" dominem os meus pensamentos. Perdoa-me por tantas vezes eu recordar este dia, o Domingo dia 13 de Janeiro... Mas sinto que devo sempre relembrá-lo até ao dia em que o consiga aceitar e recordá-lo com doçura e serenidade. E por vezes consigo sentir-me assim, quando olho as tuas fotos e mesmo com lágrimas nos olhos, sorrio. Porque eu sei que não vieste a mim para me fazeres chorar, mas sim para eu poder sorrir. E eu vou tentar meu anjinho. O nosso amor alimenta o meu sorriso e as minhas lágrimas, mas eu vou tentar valorizar apenas o bem que ficou e "esquecer" o que me magoa. Vou te amar Para Sempre Meu Anjinho.

Carla André

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