17 de
Janeiro de 2013
Não
entendo porque estas coisas acontecem... Mulheres que desejam imenso serem mães
e não conseguem engravidar, mães que amam seus filhos ainda no seu ventre e os
perdem, mães que têm seus filhos nos braços quando o sopro da vida os
abandona... E existem outras mães capazes de matar seus filhos recém-nascidos
ou não, sem percebermos porquê. Porquê? Decididamente, a vida não é justa. Quem
me dera que o meu bebé estivesse bem para eu não ter de tomar esta decisão.
Quem me dera que os meus desejos se tivessem concretizado e ele fosse perfeitamente
normal e saudável. Mas o destino não deixou que assim fosse e eu tive de
expulsá-lo do meu corpo e deixá-lo partir. Muitas mães sabem a sensação que é,
o sentimento que fica após semelhante acto. A vida foi madrasta... Porque é que
não deu a oportunidade ao meu menino de se tornar um ser humano feliz? Não,
obrigou-me a decidir o que fazer com a vida dele. Uma vida que, segundo o
médico, poderia nem sequer chegar a nascer, morrer após o nascimento, ou
sobreviver pouco tempo, mas em sofrimento. Terá sido a minha decisão um acto de
misericórdia? Se assim foi, porque tem que magoar tanto? Ficou tanto amor
dentro de mim, para lhe dar... e ele merecia tanto este meu amor. Ainda falo
com ele, como se ainda vivesse dentro de mim. Tenho saudades dos sonhos que construía
para ele, para nós, todos os dias. Sinto falta da sua presença em mim. Éramos
um só e ficaríamos (e ficámos) unidos para sempre. Sei que fiz o que estava
certo, mas foi e é demasiado angustiante e doloroso. Neste momento, a escuridão
da vida envolve-me, ao me ter obrigado a abdicar da luz que era o meu anjinho.
Carla André
Carla André
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