Nasceste no segundo Domingo do ano, dia 13 de Janeiro de 2013. Será sempre esta data que marcará a tua partida, mas para mim, será sempre este Domingo, o dia da nossa separação. A esta hora chegava eu ao hospital, o parto estava marcado. No dia anterior, me despedi de ti, escrevendo-te uma carta. Nesse Sábado pedi-te, em pensamento, que tudo corresse bem e que fosse breve... Que nascesses até às 20 horas e que não fosse necessário curetagem. Assim foi, nasceste às 19 horas e trouxeste tudo contigo, deixando o meu útero completamente limpo e vazio. Eu tinha tanto medo. Naquele momento, o meu maior medo era que algo corresse mal e eu já não voltasse para a tua irmã. Eu sabia que não podia fazer nada mais por ti, por isso só pensava nela e de como ainda precisava de mim. Foi ela que me manteve viva até hoje. Eu precisava de viver pela tua irmã. Se ela não existisse na minha vida, eu teria desistido, pois tu eras tudo o que eu mais desejava e sem ti perdi todo o sentido da vida. E foi assim que vivi este ano que passou. Lutando e sobrevivendo porque tenho outro alguém por quem vale a pena viver. Muitas vezes questionei o porquê de nos ter acontecido... Muitas vezes, acreditei ter descoberto o motivo... Outras vezes, pensei que era apenas eu a tentar encontrar respostas para justificar o que aconteceu. Senti-me culpada e por muito tempo não consegui usar a palavra morte, o verbo morrer ou matar. Houve alturas em que me perguntei porque é que a Natureza não o fez por mim, porque não te levou antes... Ela enviou-me todos os sinais de que algo não estava bem, mas manteve-te dentro de mim. Fui eu que tive de te expulsar. E acho que é isso que mais me dói, meu anjinho. Fui eu que te matei. Apesar de saber que tinhas aquela grave doença e que não havia nada para te curar, magoou-me muito ter de tomar essa decisão. Após o resultado da autópsia, sei que ias acabar por morrer dentro de mim, mas nem por isso me sinto mais aliviada pelo que te fiz. Eu sei que só antecipei o que iria acontecer e que o fiz para evitar que sofresses, mas mesmo assim, não consigo deixar de me sentir culpada. E acho que foi a culpa que me manteve triste todo este ano. Eu quero acreditar que se ficaste comigo durante aquelas 18 semanas, foi porque te era necessário... Seria o tempo que precisavas para cumprir a tua missão, seria o meu amor que precisavas para concluir o teu destino. Sei que agora é a vez de eu cumprir a minha missão, apesar de não saber qual é.... Mas sinto, que de alguma forma, estou no caminho dela. O meu tempo de luto foi necessário para receber mais força e agora sinto que devo usá-la para tentar ser feliz todos os dias, mesmo que só um pouquinho. Tu não vieste à minha vida para eu ser infeliz eternamente... Tu vieste para me mostrar onde está a felicidade.
Carla André
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