quinta-feira, 17 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
Domingo dia 13...
Meu anjinho, hoje é Domingo dia 13... Recorda-me o dia em que partiste, Domingo dia 13 de Janeiro. Foi à nove meses que nos separámos. Sinto que é de certa forma um dia especial. Não é um dia feliz, mas é um Domingo especial. Marca o dia em que te dei à Luz e te devolvi. Marca o dia mais infeliz da minha vida. Desde então, a tristeza não me abandona, tem sido a minha fiel companheira nestes últimos 9 meses. Sinto que ainda não superei e sei que preciso de aceitar o que nos aconteceu para me recuperar. Mas não é fácil. Atravessar toda esta dor será a minha maior batalha. Não consigo deixar de me sentir culpada, falhada, derrotada. Não consegui te proteger da fatídica doença, não consegui dar-te uma vida. Fui uma mãe impotente, incapaz de te defender do mal que te atacou. A única forma que tive de te proteger foi libertar-te do meu corpo e te devolver. Sinto que não podia fazer nada mais por ti, mas nem por isso me sinto mais aliviada. Sei que fiz o que era correcto, mas não consigo deixar de me sentir revoltada contra este nosso destino. A vida tem sido tão cruel. Ao fim de tanta luta e lágrimas, "premiou-me" com mais luta e lágrimas. Não é justo. Não compreendo. O que nos aconteceu marcou-me para sempre. É uma ferida que não sara, uma dor que não passa, é uma parte de mim que não vive mais, que morreu quando partiste. Mas eu sei que existes algures, não aceito a morte como um fim. Em mim sempre existirás, mas quero acreditar que vives para além desta vida. Sinto que te devia homenagear todos os dias, sorrindo, amando, vivendo, mas a tristeza que ficou impede-me de cumprir essas três simples necessidades humanas. Mas sei que devo fazê-lo e que devo recordar apenas a felicidade que me trouxeste, os momentos felizes que vivi contigo dentro de mim. Foi uma breve existência sempre assombrada pela sensação de que algo estava mal, mas mesmo assim a alegria de te ter era maior e eu só desejava que tudo o que eu pressentia não fosse real, que fosse apenas a minha mente a mentir-me. Quis acreditar que finalmente a vida me ia recompensar após tanta provação. Mas não foi o que aconteceu. Perdi-te, fui obrigada a perder-te. O meu maior acto de amor foi libertar-te do meu corpo e devolver-te à Luz. Era tudo o que eu podia fazer para evitar o teu sofrimento. Morrerias no meu ventre de qualquer forma, eu apenas antecipei a tua partida. Não foi fácil, nunca me senti tão infeliz em toda a minha vida. Mas sei que não posso continuar a recordar apenas os momentos dolorosos desta nossa história de amor. Porque eu vivi momentos muito felizes contigo. Em mim despertaste sonhos, ressuscitaste a esperança, fizeste-me acreditar de novo na felicidade. Nunca me senti tão plena e tão orgulhosa de mim. Eras tudo o que eu desejava. Mas a vida não nos permitiu continuar e logo nossos caminhos se separaram. A nossa viagem terminou. Rumaste para o teu mundo e eu fiquei perdida neste labirinto chamado vida. Mas apesar de todo o sofrimento, eu amei ter-te comigo, tudo o que me fizeste sentir foi bom demais para se apagar. Não me posso esquecer do quão feliz fui contigo enquanto exististe. E é isso que eu devo valorizar, todos os bons sentimentos e pensamentos de que usufruí enquanto vivias dentro de mim. E continuarás a viver, meu anjinho. Por isso, tudo que senti de bom, tem de continuar a existir. A tua vi(n)da não pode ter sido em vão. Perdoa-me por continuar presa à dor da tua perda. Sei que tenho de me libertar e recomeçar. O tempo passa e a vida também, e eu não vivo, apenas existo. Não foi com esse propósito que me vieste visitar. Vieste-me mostrar que existem mais caminhos e que todos eles nos levam à felicidade se a quisermos realmente alcançar. O fim de algo é sempre um recomeço, uma nova oportunidade de reescrever a nossa história. E tu vieste a mim para me oferecer essa tal oportunidade, a qual tenho desperdiçado por passar todos os meus dias a lamentar o nosso destino. Perdoa a minha letargia, mas tem sido muito doloroso aceitar a tua ausência. Perdoa-me por continuar a viver no modo condicional e deixar tantas vezes que os "ses" dominem os meus pensamentos. Perdoa-me por tantas vezes eu recordar este dia, o Domingo dia 13 de Janeiro... Mas sinto que devo sempre relembrá-lo até ao dia em que o consiga aceitar e recordá-lo com doçura e serenidade. E por vezes consigo sentir-me assim, quando olho as tuas fotos e mesmo com lágrimas nos olhos, sorrio. Porque eu sei que não vieste a mim para me fazeres chorar, mas sim para eu poder sorrir. E eu vou tentar meu anjinho. O nosso amor alimenta o meu sorriso e as minhas lágrimas, mas eu vou tentar valorizar apenas o bem que ficou e "esquecer" o que me magoa. Vou te amar Para Sempre Meu Anjinho.
Carla André
Carla André
Homenagem
Meu anjinho, hoje entrei numa belíssima catedral em St. Gallen. Não sou católica nem tenho qualquer religião, mas as igrejas inspiram-me paz. E eu tenho as minhas próprias crenças. Resolvi fazer-te uma homenagem, acendi uma vela e escrevi no livro uma dedicatória: "13/10/2013 Acendo uma vela por ti meu anjinho, que nasceste e partiste no dia 13/1/2013. Com todo o meu amor." e assinei. Saí da igreja com uma bela sensação de paz no meu peito. Sinto que algures recebeste a minha mensagem. Que descanses em paz meu anjinho. Que sejas feliz no lugar onde vives. No meu coração sempre viverás
Carla André
Carla André
Subscrever:
Comentários (Atom)






