quinta-feira, 28 de março de 2013

Todos os dias, todas as noites...

Todas as noites choro a tua ausência meu anjinho. Todos os dias sinto-me só e vazia sem ti. E hoje tem sido um dia difícil de viver. Hoje tudo me faz chorar. Penso em ti e as lágrimas escorrem da minha alma pelos meus olhos, tristes e desesperadas, tentando aliviar esta dor que se alojou no mais profundo do meu ser. Penso em ti e só desejo que não tenhas conhecido a dor e o sofrimento. Que as dores que senti durante a "nossa" gravidez, fossem as tuas, mas que só eu as pudesse sentir. Que nunca te tenhas apercebido do que te estava a acontecer, à medida que os teus ossos se deformavam e fracturavam. Desejo que não tivesses a noção do que estava prestes a acontecer, quando assinei a tua "sentença de morte". É tudo o que desejo, que não tenhas conhecido a dor e o sofrimento, mas que tenhas sentido, de alguma forma, o quanto eu te amava. Porque o amor não é físico, é espiritual, é um meio de comunicação entre almas que se pertencem. Hoje e todos os dias penso em ti, o meu bebé lindo, o meu menino. Serei tua mãe para sempre. Apesar do pouco tempo que vivemos juntos, serás sempre o meu filho... Filho que perdi, ou que tive de decidir perder. Desejo que a minha decisão tenha evitado o teu sofrimento. Tenho muita pena meu amor, mas não havia outra solução. Eu não podia prolongar a tua vida e deixar-te sofrer. Era muito grave a tua doença, impossível de sobreviver. Por amor te devolvi... e sofri. Não é justo, é cruel. Não me consigo conformar com o nosso triste destino. Não compreendo. Por vezes, tenho um vislumbre de que tivesses um propósito maior, uma missão importante que terias a cumprir, mas outras vezes, penso que sou apenas eu a procurar respostas e a iludir-me com algo que desconheço totalmente. Afinal, se não tenho religião, em que me posso amparar?!? Apenas na  força dos espíritos e das almas, nos quais acredito. E numa força maior que tudo domina nesse mundo espiritual. Também lhe posso chamar de Deus, sem lhe dar a típica conotação religiosa. Tudo o que vive tem alma, toda a alma ocupa um corpo pelo tempo que lhe é permitido. As almas se unem porque são partes iguais de si mesmas. Por isso, acredito que eu e tu nos pertencíamos e tínhamos algo a terminar juntos. Lamento este trágico fim, não era o que eu desejava. O que eu desejava era sentir-te dentro de mim, cuidar-me para cuidar de ti, amar-te com todo o meu coração, esperar-te e ter-te, finalmente, nos meus braços. Outra vida nos esperaria, para além da que conheceste. E seria tão bom que este desejo se tivesse concretizado, mas não nos foi concedido viver este grande amor. Todos os dias penso em ti meu anjinho e todas as noites choro a tua ausência. Sem ti, sinto-me perdida e abandonada. A tua presença iluminava-me. Fazias-me feliz e davas-me a sensação de que eu tinha conquistado um novo propósito de vida. Abracei-te com todo o meu amor e a vida separou-te de mim, deixando-me a sofrer tão só. Fiquei, de novo, à deriva ao sabor do vento e do sofrimento. Mas não posso continuar assim... A vida pede-me para recomeçar, mas eu não queria recomeçar sem ti. Por isso, me custa sair deste refúgio que construí para mim. Ao retirar-me desta doce letargia que me envolve, receio afastar-me de ti. Mas tenho de acreditar que vives em mim e que em mim permanecerás. Estamos unidos pelo amor eterno,  nada nos pode separar. Um dia teremos o nosso reencontro meu anjinho. Amo-te para todo o sempre...

Carla André

quarta-feira, 13 de março de 2013

A tua ausência...

Meu anjinho, passaram dois meses desde que nos separámos... Todos os dias choro a tua ausência. Sinto saudades de te ter dentro de mim. Faltariam apenas dois meses e meio para nasceres. Seria tão maravilhoso esperar por ti... Ver-te e tocar-te pela primeira vez. Mas não nos foi permitido esse momento. Tiveste de partir mais cedo, tão mais cedo, meu anjinho. Ias ser o meu bebé lindo. Eu sentia-me tão feliz e tão apaixonada por ti. Acredita que eu não sabia que era assim, amar tanto alguém dentro de mim. Todos os dias penso em ti e a saudade inunda a minha alma a todo o instante. Vou vivendo a tua ausência com tristeza, mas muito amor. Foi esse o melhor presente que me deixaste, o amor que criei e cresceu contigo, ainda vive comigo. Só uma mãe conhece esse maravilhoso sentimento, o amor na sua mais pura essência, o amor de mãe. E é este amor que me dá força para continuar, mas que também me entristece, pois era teu de alma e coração. Todas as noites toco na minha barriga e falo contigo, como se ainda vivesses dentro de mim... No meu ventre não existes mais, mas existes em mim, em cada sorriso, em cada lágrima, em cada pulsar do meu coração. Eternamente meu, eternamente unidos. Não nos foi permitido vivermos juntos, mas vivemos juntos o suficiente para eu te amar para sempre. O meu menino... imagino como serias... Olhos cor de mel e sorriso doce. Terias o olhar e a covinha no queixo como o teu pai, e quando sorrisses, terias uma covinha em cada face, como a tua irmã. É assim que te imagino meu amor. Serias lindo meu anjinho. E eu amar-te-ia a cada dia. Mas o nosso destino era outro, e hoje vivo amando-te todos os dias, apesar da tua ausência. Sinto a tua falta meu amor. Por vezes, é tão difícil viver sem os sonhos e a esperança que trouxeste contigo. Ainda que por pouco tempo, fizeste-me muito feliz, e eu te agradeço, porque relembraste-me que a felicidade é feita de "pequenos" momentos. E eu fui muito feliz contigo. Amo-te para sempre meu anjinho.

Carla André

quinta-feira, 7 de março de 2013

Meu menino...

Meu anjinho, há muito tempo que não te escrevo... Estamos prestes a fazer dois meses que nos separámos. É muito triste lembrar-me daqueles dias... os dias que antecederam à nossa separação. Há quase dois meses que desapareceste da minha vida física, mas continuas a viver comigo na vida espiritual. Já vivias antes e viverás, até ao dia em que eu deixarei de viver neste corpo que te acolheu e cuidou com tanto amor. Talvez então nos reencontremos. Confesso que hoje não me sinto muito inspirada para escrever, mas encontrei algo que te escrevi no dia 5 de Fevereiro, quando a ferida era ainda muito recente. Só agora começa a cicatrizar... Penso que por isso não te tenho escrito, dói demais quando lhe toco...

Meu amor, sinto-me tão vazia sem ti. Perdi os meus sonhos e a esperança... Há muito tempo que não sonhava assim. Foste tudo para mim. Por um instante, tornaste-te um sonho realizado, uma esperança à muito desejada. E perdi-te... E contigo tudo se foi, tudo perdi. Estou triste meu anjinho. Não sabia que era este o nosso destino. Pensei que ias ficar comigo para sempre... Até a morte me levar um dia. Mas foste tu o escolhido. Vieste apenas de visita, relembrar-me o quanto é bom amar, mostrar-me que tenho ainda muito amor para dar. Era contigo que eu o ia partilhar. Eras e serás o meu menino lindo. O menino que me estava destinado desde o começo da minha vida. Por isso, pensei que ficasses comigo, para vivermos a nossa linda história de amor. Amor que não existe igual. Nenhum amor se compara ao amor entre mãe e filho(a). Nenhum é mais forte ou poderoso. E eu amei-te tanto. Amo. E amarei. Para sempre. Viveste dentro de mim 18 semanas, meu anjinho... Depois tiveste que voltar. Estarás a olhar para mim neste momento?! Ficarás triste por me veres chorar?! São lágrimas de tristeza, perda e saudade. Sinto a tua falta meu bebé lindo. Não existe nada nem ninguém capaz de curar a minha dor. Eu tento meu anjinho, mas de vez em quando vacilo e não lhe consigo resistir. Eu estava tão apaixonada por ti. Já imaginava os nossos momentos de alegria e felicidade. Momentos que me foram roubados sem dó nem piedade. Que missão era a tua, meu anjinho? Que me vieste ensinar? Eu sinto que existe algo que devo aprender, mas talvez não esteja ainda preparada para ver. Acredito que tudo tem uma razão para acontecer, só não percebo porquê... O porquê de nos ter acontecido. Íamos ser tão felizes os dois, os três, os quatro e quem mais se quisesse juntar a nós. Ias receber tanto amor. Eu estava à tua espera há tanto tempo... Porque não pudeste ficar comigo?! Porque a mãe-natureza permitiu que ficasses doente?! Só nos trouxe sofrimento. Nós merecíamos ser felizes. E tão felizes que seríamos! Amo-te para sempre meu anjinho!

Carla André