Carla André
sábado, 13 de abril de 2013
Três meses passaram...
Carla André
Dia 30 de Setembro de 2012. Lembro-me tão bem do dia em que fiz o teste de gravidez... Eu já andava desconfiada e, desconfiava que não vinhas para ficar. Tinha muitas dores, por vezes como as dores menstruais, mas mais fortes, outras como as contracções de um trabalho de parto. Eu só esperava que a menstruação viesse ou que abortasse sem que soubesse que estava grávida... Mas a menstruação não veio e fiz o teste. Positivo... As lágrimas correram pelo meu rosto, eu sabia que algo estava mal. Fui ao hospital, receava uma gravidez ectópica ou que o meu corpo estivesse insistentemente a querer te expulsar. No hospital, não detectaram nada de errado, os resultados das análises eram os exactos, demonstrando que não era gravidez ectópica e eu não tinha qualquer hemorragia que os fizesse associar a um aborto espontâneo. Tu estavas bem implantado no meu útero, apesar de seres ainda invisível. Disseram-me que não podiam fazer nada mais e que eu consultasse a minha ginecologista. Os médicos não se mostraram muito preocupados, talvez julgassem que eu estava a exagerar com as dores, e mais "descansados" ficaram, quando lhes disse que também tinha sido assim, no início, quando estava grávida da tua irmã. Mas tentei explicar-lhes que não as tive durante tanto tempo nem tão fortes. Concluiram que em mim seria normal estas dores e mandaram-me para casa. E elas continuaram... Ao todo andei quase 4 semanas com dores fortíssimas no útero e rins, até que foram acalmando, mas nunca me abandonaram por completo. A ginecologista achou que estava tudo bem, mas eu sentia, pressentia que não. Tentei não me afeiçoar a ti, pois sentia que a qualquer momento te poderia perder. Mas como pode uma mãe não se afeiçoar ao bebé que carrega no seu ventre?!? Impossível... Muitas vezes dava por mim a falar contigo e a acariciar a barriga, começava a te amar, chamava-te de "meu feijãozinho" e já imaginava um futuro para a nossa família. Não valia a pena lutar contra o amor que crescia dentro de mim, ele crescia contigo e eu só tinha de te amar. Mas o medo esteve sempre presente, sempre. Por vezes, até penso se não fui eu que atraí a tua doença, ao recear tanto que algo não estivesse bem contigo. Se não poderão os meus pensamentos mais negativos terem provocado os teus problemas de saúde. Mas não gosto de pensar nisso, porque assim estarei a culpar-me por algo que eu não pude controlar ou evitar. Estavas doente e provavelmente desde o início, seria daí que vinham as minhas dores. O meu corpo terá querido te expulsar, ao detectar anomalias, mas tu agarraste-te à vida e ficaste comigo. Tu sabias que eu te queria e deste-me essa felicidade, ainda que por pouco tempo. A infelicidade que senti depois, ao te perder, foi a mais dolorosa de toda a minha vida, mas o amor que senti e sinto por ti, foi o mais forte que alguma vez terei desfrutado... "Compensa" todo o sofrimento que passei. Quem me dera que esse amor pudesse ter sido desfrutado por nós dois e partilhado entre nós durante toda a nossa vida, após o teu nascimento. Mas tu só pudeste passar por mim e não ficar comigo. E toda a nossa vida foram apenas 18 semanas, mas semanas de amor e felicidade.
Carla André
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